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Star Wars – O despertar da Força: resenha com kylos de spoilers

É difícil não conhecer Star Wars. Tu não precisa ser especialista nos detalhes de trama por já ter assistido mais de noventa vezes (como este Jedi que vos escreve, treinado por Mestre Obi Wan Kenobi), mas provavelmente você já se deparou com figuras como Darth Vader e Mestre Yoda em algum momento da vida. Para quem acessa a internet, então, é praticamente impossível não se deparar com algo relacionado a saga espacial criada por George Lucas na década de 1970.

E estou fazendo todo esse preambulo para dizer que Star Wars está de volta. Ahn?! De volta?! E esteve ausente em algum momento? A resposta é sim e não. Em 2015 lá se vão uns 30 anos desde a estreia de Star Wars – Episódio VI: o retorno de Jedi e 10 anos desde a estreia de Star Wars – Episódio III: a vingança dos Sith. São dois filmes-momentos muito importantes para toda a saga e o que ela representa para as centenas de milhões de fãs pelo mundo. Enquanto ao final do Episódio VI fixamos verdadeiramente “abandonados” do Universo de Star Wars (retornando a esse universo apenas no excelente livro “Sombras do Império”), já após o Episódio III estivemos consumindo vorazmente o que a LucasFilm produzia e licenciava, como a excelente série animada “Clone Wars” (que na minha opinião vale mais que os Episódios I e II juntos).
E George Lucas queria mais, muito mais. E aí residia o problema para os fãs. O Criador se voltou contra sua criatura (e não o contrário). Num afã de “rever” os filmes passados, George Lucas iniciou uma tenebrosa revisão da Trilogia Sagrada (Episódios IV, V e VI), mudando cenas e incluindo outras. Desde a troca de tiros entre Greedo e Han Solo na cantina em Tatooine até a mudança de “espíritos”‘ dos atores que interpretaram Anakin Skywalker ao final do Episódio VI. Para a legião de fãs, essas alterações foram verdadeiras heresias.
Então a Disney compra a LucasFilm. Outro pesadelo se iniciaria?
Como atesta o Episódio VII, não. Ao contrário, até para minha surpresa.
Digo minha surpresa porque confesso que temi, mas temi muito a aquisição da LucasFilm pela Disney, mas ao mesmo tempo sabia que era necessário “tirar das mãos” de George Lucas o controle criativo do Universo de Star Wars, especialmente de filmes relacionados a saga. Mas o medo de que a Disney infantilizasse Star Wars foi uma bobagem imensa. A Disney entregou Star Wars para quem queria ampliar Star Wars e não ficar revisando e revisando e revisando o que estava feito.
Não pensem que sou um anti-George Lucas, ao contrário, mas acredito que Francis Ford Coppola está certo ao dizer que George Lucas ficou preso demais a sua criação e deveria expandir seus horizontes. Chegou a oportunidade.
Então temos o Episódio VII – o despertar da Força…

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Mais uma confissão nesse post cheio de confissões: quando a Disney desconsiderou o Universo Expandido atribuindo-lhe status de “Legends” quase tive um treco, especialmente por causa de uma personagem, Mara Jade, ex-Mão do Imperador e esposa e companheira de Mestre Luke Skywalker. Mara Jade, personagem criada por Timothy Zahn para sua trilogia de Thrawn conquistou uma legião de fãs (e porque tu não a inseriu na Trilogia Sagrada, George Lucas, já que alterava tudo mesmo???!!!).
Mara Jade agora é “Legends”.
Então temos o Episódio VII – o despertar da Força…
E o filme foi espetacular!!!! E justamente por não querer “inventar a roda.”
“O Despertar da Força” possui uma narrativa muito similar aos Episódios IV e V, com maior similaridade com o Episódio IV. “A Jornada do Herói” de Joseph Campbell ainda é a força condutora da trama. Temos a personagem Rey (Daisy Ridley) que vive sozinha no inóspito planeta Jakku (tal qual Anakin e Luke Skywalker em Tatooine), piloto habilidosa (tal qual Anakin e Luke) e à espera de sua família retornar. Temos Finn (John Boyega), um ex-stormtrooper arrependido e culpado de participar das atrocidades da Primeira Ordem, o restante da maquinaria do Império reorganizado numa estrutura similar cujo lema de ordem baseia-se no terror de proto-Estado (como o faz o Estado Islamico na Síria e Iraque). A jornada e perfil de Finn lembra em muito Han Solo na Trilogia Sagrada (um ex-contrabandista que se vê envolvido com os últimos Jedi e com a Princesa Leia e a Aliança Rebelde). E, por fim, temos Kylo Ren (Adam Driver), o filho de Leia e Han Solo, braço direito do Supremo Líder Snoke (um Sith de uma ordem separada da de Palpatine ou seria o próprio Darth Plagueis) obcecado por seu avô, Darth Vader, como o próprio Solo diz a Leia: “há muito de Vader nele!”
Toda a trama do Episódio VII gira em torno do desaparecimento do último Jedi, Mestre Luke Skywalker. Embora pontue no filme a causa desse desaparecimento, ela teria se dado pela traição de um discípulo de Mestre Skywalker e o fim da nova Academia Jedi. E aqui começam algumas teorias. Primeiramente, Rey se recusa ao “despertar da Força” pregado pela sensitiva à Força, Maz Kanata, por traumas. Assim como Luke Skywalker entra na caverna e confronta Vader em Dagobah, Rey se vê diante de Kylo Ren ameaçador e vivencia imagens-experiências sufocadas dentro de si, todas relacionadas a uma tragédia e despertadas ao tocar o sabre de luz que foi de Anakin e depois de Luke. E no derradeiro conflito final, dela.
Se a trama do Episódio VII gira oficialmente em torno do desaparecimento do Mestre Skywalker e a busca pelo mesmo (o Supremo Líder Snoke e a Primeira Ordem o querem morto e a agora General Leia e a Resistência, braço da República, o quer de volta), a trama paralela gira em torno da origem de Rey. E no contraponto de se reconhecer ao se diferenciar do outro, Rey é tão Skywalker quanto Kylo Ren. E, embora não dito, sentir que compartilha da mesma linhagem “de uma sucateira” faz com que o ódio de Kylo Ren seja maior ainda.

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O conflito familiar, tão característico entre os Skywalker, se faz presente (oras, é a família mais problemática da Galáxia) no Episódio VII e nos traz a tragédia do filme: a morte de Han Solo por seu filho, Ben. Sim, este é o nome verdadeiro de Kylo Ren. Uma homenagem a meu Mestre Obi Wan que foi distorcida. Se no Episódio IV nos chocamos com o sacrifício e morte de Mestre Obi Wan, no Episódio VII temos esse amargor com a trágica morte de Han Solo pelas mãos de seu filho. E assim como Luke Skywalker viu Mestre Obi Wan morrer pelas mãos de Darth Vader, Rey vê Han Solo (que ela admirava demais) morrer pelas mãos de Kylo Ren. Mais uma vez as narrativas dos Episódios IV e VII se entrelaçam.
Ao final, Mestre Luke Skywalker é encontrado por Rey. Ao vislumbrar as ilhas num belo oceano, Rey tem sensações que retornam, todas ligadas à sua família. Maz Kanata diz a ela que quem ela esperava já não retornaria. Minha teoria: sua mãe, provavelmente morta pelos Cavaleiros de Ren. Mas ela pode encontrar outra pessoa. Quem mais se não o pai? Luke Skywalker.
Ao ver Mestre Luke Skywalker ao final do Episódio VII, tive a sensação de que ele honrou demais o legado de Mestre Obi Wan, seja no visual e até nas ideias. E acredito que deixar Rey isolada, em acordo com a misteriosa mãe e companheira dele, foi a trágica e mesmo perversa maneira de preservá-la da Primeira Ordem, já que Ben Solo, seu sobrinho, foi cooptado pela rede de mentiras típicas dos Sith (e será Snoke mesmo um Sith, essa é minha maior dúvida. E acredito que uma nova e diferente Ordem Sith irá surgir no Episódio VIII) e vimos o resultado.
Star Wars – Episódio VII: o despertar da Força já está no status de “sacro” pra mim. E rezo para que lancem o blu-ray o quanto antes.

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3 pensamentos sobre “Star Wars – O despertar da Força: resenha com kylos de spoilers

  1. Os episódios I e IV, depois II e V e finalmente III e VI possuem elementos muito similares na narrativa e mesmo no apelo visual. Observe os finais de cada um desses filmes e vejam se não são praticamente idênticos, especialmente os episódios I e IV. O episódio VII segue o mesmo raciocínio seguindo uma linha muito similar ao das primeiras partes das duas trilogias anteriores. Mas não acho ele uma cópia do Episódio IV. Possui elementos similares, mas a trama é bem diversa.
    Aliás, Episódio VII é um filme muito melhor que toda a última trilogia e só não superior ao Episódio V da Santa Trilogia Clássica.
    E concordo plenamente com você Mestre Ben! As Guerras Clônicas são muito melhores que os episódios I e II.

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