História em Quadrinhos

Melhores Histórias do Batman – Parte 1: Batman – o Cavaleiro da Vingança

Este post é provocativo mesmo e já vou deixar bem claro que nos quadrinhos de super heróis existe o Batman e o resto. E nem adianta vir com mimimi de intriguinha babaca, mas a verdade é esta. Pra mim, ao menos. Mas a pergunta cretina do post é: quem é o Batman? Não há uma resposta fácil, até mesmo porque inúmeros autores reinterpretaram essa pergunta e alguns deram respostas mais e outros menos qualitativas. E uma das reinterpretações que considero mais consistentes e inovadoras ao longo da história do Cavaleiro das Trevas foi dada por Brian Azzarello e Eduardo Risso, famosa dupla criadora de 100 Balas, clássico e importante título da Vertigo, selo da DC Comics.

Tá, mas quem é este Batman, afinal de contas? Saiba a resposta e surpreenda-se

Quando anunciaram as mini-séries derivadas de Flashpoint não esperei grande coisa por vir. E tomei uma verdadeira rasteira quando a dupla de 100 Balas, Brian Azzarello e Eduardo Risso, foi anunciada como a equipe criativa por trás do título “Batman – Cavaleiro da Vingança”. E, mais ainda, quando tomei conhecimento que o Batman em questão era Thomas Wayne e não Bruce Wayne significando, portanto, verdadeira liberdade criativa para os autores. Azzarello sabe escrever bem histórias policiais com uma pegada de suspense que poucos autores em HQ vem conseguindo realizar (só foi péssimo ao escrever e descaracterizar John Constantine em sua passagem como escritor pela série Hellblazer, mas isso é outra história). Ele e Risso já haviam produzido uma excelente HQ do Batman publicada na mensal do Batman e depois no formato encadernado (bem melhor, inclusive) intitulada Batman: cidade castigada. E Risso, bom, o argentino Eduardo Risso é um dos meus desenhistas preferidos e consegue retratar, num estilo próprio, em suas páginas a realidade dura, crua e sem frescuragem de Gotham City como poucos conseguem fazer no atual hall de ilustradores do Cavaleiro das Trevas ou, no caso presente, do Cavaleiro da Vingança.

A história dessa primeira edição (de três ao total) de Batman – o Cavaleiro da Vingança nos apresenta, ainda que de forma breve, a realidade alternativa de Gotham City. Nela, é Thomas Wayne quem sobreviveu ao famigerado assalto que culminou nas mortes de Martha e Bruce Wayne, respectiva esposa e companheira e seu único filho. Thomas Wayne aparenta, pelos traços de Eduardo Risso, ter uns 50 anos. É rabugento e violento. E adivinha quem lembra? Sim, Batman – The Dark Knight Returns. Fiquei pasmo ao ler e ver esse “retorno”. Mas vamos à história: o Coringa sequestrou os filhos gêmeos do juiz Harvey Dent e um “demônio” vem sequestrando pessoas em Gotham.  E, para resolver essas situações, existe o Batman. O interessante é que nesse universo as soluções são finais para os vilões (Hera Venenosa e Silêncio são citados como eliminados) embora não, aparentemente, para o Coringa, como é possível deduzir do diálogo entre James (Jim) Gordon e Thomas Wayne. Um ponto interessante nessa edição é que o “Pinguim” trabalha para Thomas Wayne (que deseja, através de seu Cassino, atrair o crime e controlá-lo) e James Gordon, Comissão de uma Polícia Privatizada, conhece a identidade de Batman utilizada por Thomas Wayne para combater o crime.

E Brian Azzarello constrói muito bem os diálogos. Sua narrativa me fez crer que já lia e conhecia aquele Batman – Cavaleiro da Vingança há muitos anos. E causar isto a um leitor de mais de 25 anos de boléia quadrinistica me espantou um pouco. Outro ponto interessante é como a parceria Azzarello/Risso reflete na dinâmica da história, seja nas imagens que compõem o diálogo entre Thomas Wayne e sua “psiquiatra”com uma forte “tensão sexual” entre os dois ou no conflito entre o Batman e o Crocodilo, o “demônio” que vinha, literalmente, consumindo pessoas de Gotham. Foi espetacular, essa luta me fez lembrar, inclusive, a luta de Batman (Bruce Wayne) contra um soldado apokoliptiano em Odisséia Cósmica que também apreciava carne humana. O final da história da primeira edição, me lembro em sua última página, podemos ver o Coringa “brincando” com as crianças de Harvey Dent. Assustador.

Batman – Cavaleiro da Vingança foi a abordagem mais original de Batman em muitos, mas muitos anos. E seu mérito é manter os elementos que definem Batman, mas de uma forma verdadeiramente original. Brian Azzarello e Eduardo Risso mostraram, mais uma vez, como um escritor e desenhista, respectivamente, conseguem produzir uma HQ de excelente qualidade quando existe liberdade no processo criativo.

Batman – Cavaleiro da Vingança #3 fecha com verdadeira chave de ouro a decadente e sombria história de um Batman que não é Bruce Wayne, mas seu pai – Thomas Wayne. Entretanto, é importante frisar, mesmo que o Batman dessa realidade seja o pai, ainda assim é a tragédia que permite o nascimento do protetor de Gotham City, um Cavaleiro, não só das Trevas, mas também da Vingança. Essa terceira edição da mini-série nos apresenta o nascimento do Batman e do Coringa e, numa sacada genial, Brian Azzarello une os dois arqui-inimigos desde o “berço”. Batman e Coringa nascem dos traumas acarretados pela morte de Bruce Wayne, ainda criança, pelo disparo da pistola de Joe Chill. A racionalidade dura de Thomas Wayne o impele a tentar salvar seu filho e não conseguindo, sai em busca da vingança e atinge sucesso nessa empreitada. Mas e Martha Wayne?

Bom, Martha Wayne não consegue, de todas as formas, lidar de forma madura o conturbado cenário emocional que lhe abate. É a loucura que a preserva desse mundo louco que lhe tomou seu filho único, assim como é a Vingança contra o crime que preservou a “sanidade” de Thomas Wayne. O confronto entre esse Batman e a Coringa dessa realidade é um dos momentos mais dramáticos da história das histórias em quadrinhos. Quando o Batman/Thomas Wayne diz a Coringa/Martha Wayne que existe uma esperança de tudo aquilo acabar, sabemos pelas expressões da Coringa/Martha Wayne que seria em vão, no final todos saiem perdendo. Nesse momento, Thomas Wayne, Batman, além de um Cavaleiro da Vingança, torna-se o único ali que consegue manter a esperança e apenas ela permite que ele sobreviva a mais uma tragédia (de tantas que lhe cercou).

Batman – Knight of Vengeance foi uma mini série espetacular, no roteiro e na arte. É uma HQ que vale a pena acrescentar no hall das boas histórias de super-heróis – com o mérito de ser fruto de um trabalho tanto na escrita quanto na arte e com o clima noir tão próprio das histórias pulp que, com toda certeza, Brian Azzarello e Eduardo Risso se inspiraram. Vou importar a edição encadernada e colocá-la na prateleira de HQ mais importantes, ao lado de clássicos como V for Vendetta, From Hell, Daredevil – Born Again, Batman – Year One, Batman – The Dark Knight Return’s, Preacher, Starman, Planetary, etc.

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