História em Quadrinhos

Minha HQ Preferida e as outras 10 Histórias em Quadrinhos Favoritas

Primeiramente, fora Temer e vá em cana, Deputado Caranguejo!

Segundamente, entramos num tipo de post dos mais espinhosos para qualquer leitora/leitora de histórias em quadrinhos: eleger suas 10 HQ’s preferidas. Ben Hazrael, este que vos escreve, sofre feito condenado para fazer listas. É um vício exatamente corresponde ao vivenciado por Rob Gordon (John Cusack) no filme “Alta Fidelidade”, baseado no livro homônimo de Nick Hornby. E entre filmes, livros, discos e histórias em quadrinhos, estas últimas são as mais difíceis para mim. Como elaborar um Top 10 de HQ’s, em nome de Mestre Yoda?

Pois é, mas vou tentar. Vou tentar especialmente porque recentemente tive uma conversa nerdicamente destrambelhada com um proprietário de comic shop adivinhem sobre o que? Exatamente. Esse tema do post de hoje. Por “HQ”, tanto faz se uma série fechada ou HQ de volume único.

Acreditem quando digo que para essa lista sair, foi um martírio. Ela será descrescente, sei lá porque motivo, mas vai ser. E não tem Watchmen.

10. Os Supremos – volumes 1 e 2

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O melhor trabalho realizado por Mark Millar com arte espetacular de Bryan Hitch. Embora Mark Millar retome o modelo de narrativa e enquadramento de personagens já desenvolvido em Authority, em Supremos termina por elevar a outro patamar o gênero de super-heróis no saudoso selo Ultimate da Marvel (melhor coisa que a dita Casa das Ideias já produziu, na minha opinião).

9. Authority de Warren Ellis e Bryan Hitch

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The Authority, grupo criado por Warren Ellis e Brian Hitch

Ainda dentro desse gênero “cinematográfico” de histórias em quadrinhos temos a estonteante “Authority”. Herdeira direta da “seriedade” de HQ’s como Batman – o cavaleiro das trevas e “Demolidor – a queda de Murdock” e a fase de Chris Claremento e John Byrne em X-Men, Authority revoluciona a narrativa de uma HQ de super-heróis, especialmente na forma como estes heróis são apresentados e suas “batalhas”, seja contra ditadores ou mesmo alguma pretensa divindade. Fabulosa.

8. Do Inferno de Alan Moore e Eddie Campbell

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Aqui temos uma HQ que é uma verdadeira aula de Literatura e História. Em “Do Inferno”, Alan Moore – para variar – produz uma história em quadrinhos tão rica, mas tão rica em detalhes que somos obrigados a ler  e reler inúmeras vezes. Como sempre, a construção de suas personagens, bem como o ritmo de sua narrativa são verdadeiros manuais para quem deseja não apenas produzir uma HQ, mas também um conto ou romance. Absurdamente fabulosa e com um dos melhores finais de histórias que pude ler ou mesmo assistir.

7. Planetary de Warren Ellis e John Cassaday

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Se em “Do Inferno” de Alan Moore temos uma verdadeira aula de Literatura e História, em “Planetary” de Warren Ellis temos uma verdeira aula sobra a cultura no século XX. Planetary visita e faz uma releitura de inúmeros produtos culturais da indústria cultural, seja no campo da literatura, do cinema, da TV ou das próprias histórias em quadrinhos. Planetary é uma delícia de ler e reler. E a arte de John Cassaday está em seu auge nessa HQ.

6. Os Invisíveis de Grant Morrisson

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“Os Invisíveis”, definitivamente, é a obra máxima de Grant Morrisson. Magia do caos, conspirações visíveis e invisíveis, psicologia de profundidade, estados alterados da mente, tudo isto e muito mais se encontra nessa HQ (declarada parcialmente auto-biográfica pelo autor). “Os Invisíveis” demanda uma leitura atenta porque, assim como “Do Inferno”, a HQ nos coloca os desafios nos detalhes de sua narrativa. É uma HQ que foge, definitivamente, do mainstream do gênero de super-heróis. Ainda bem.

5. Promethea de Alan Moore e J. H. Williams III

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Mais uma vez temos Alan Moore na lista. E “Promethea” é a HQ que Alan Moore usa e abusa da metalinguagem para construir uma das melhores HQ que pude ler em toda a vida, com – talvez – a personagem feminina melhor construída desde que as HQ são as HQ. Usando elementos que vão da Cabala até a Psicanálise passando pela Literatura e a Física Quântica, Alan Moore liberta ao máximo a ideia de criatividade em HQ. “Promethea” é uma HQ fabulosa mesmo.

4. John Constantine – Hellblazer: Más Companhias, Hábitos Perigosos

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Na lista de minhas HQ’s preferidas impera a Vertigo/DC e há bons motivos para isto: os quadrinhos mais autorais possuem uma liberdade criativa muito maior, algo que termina por refletir na qualidade das histórias em quadrinhos. A fase de Garth Ennis em Hellblazer, a HQ de John Constantine, foi a melhor em minha opinião. Humor cáustico que o irlandês usou e abusou ao longo de sua fase escrevendo o mago beberrão anti-herói e baita canalha do bem. O auge de sua fase com Constantine, para mim, se dá na extraordinária “Más Companhias, Hábitos Perigosos” na qual Constantine engana o próprio demônio. É uma HQ FUEDA, diria o Macaco Simão. A trama é muito engenhosa, ao mesmo tempo em que mantém a simplicidade da narrativa. O final é daqueles que, se transposto a um filme de Constantine, seria espetacular.

3. Estação das Brumas (Sandman de Neil Gaiman)

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Sandman é uma daquelas HQ que marcam quem se aventura para o mundo das HQ’s que fogem do feijão com arroz dos super-heróis. Ao lado de Watchmen (Alan Moore) e Batman – o Cavaleiro das Trevas (Frank Miller), Sandman elevou o status das histórias em quadrinhos, ganhando uma publicidade como nunca antes (no caso, nos EUA e menor medida em outros cantos do mundo na década de 1980). Nesse arco de Sandman, “Estação das Brumas”, Neil Gaiman leva Morpheu até o Inferno e o diálogo entre Lúcifer e Sonho já faz valer essa HQ entre as minhas preferidas. É o mais fino e elegante da literatura, mas em quadrinhos.

2. Preacher de Garth Ennis

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Depravação, humor ácido, personagens desajustados, crítica feroz ao cristianismo, narrativa veloz com voltas e reviravoltas, vampiros, psicopatas, fiéis religiosos, pistoleiros, pastores, detetives, militares, semi-deuses, tudo isso e mais está em Preacher, o auge do trabalho de Garth Ennis (embora adore ele em Hitman e Justiceiro). Nessa série da Vertigo/DC, Garth Ennis solta tudo de que mais tem de podre e depravado de sua mente irlandesa e nos presenteia com uma das mais icônicas HQ’s autorais de todos os tempos. Nem sei mais quantas vezes li e reli essa HQ-série.

1.Batman – o Cavaleiro das Trevas de Frank Miller

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Batman está aposentado depois da morte do segundo Robin, Jason Todd. Bruce Wayne tem lá seus 55 anos, bebe muito vinho, tem uma vida clandestina com Selina Kyle, pilota carros de corrida ansiando desesperadamente a morte e é atormentado pelo Morcego que o habita desde que tinha seus 08 anos de idade. O mundo segue caótico, perdido e os níveis alarmantes de violência e uma população completamente perdida parece clamar pelo retorno do Cavaleiro das Trevas. E ele retorna, o que desencadeia uma série de efeitos na sua vida privada, na política local e nacional, além de trazer de volta o que de pior Gotham City oferece: psicopatas. Temos aí uma das HQ’s mais premiadas da história. Escrita e ilustrada por Frank Miller com arte final de Klaus Janson, Batman – o cavaleiro das trevas é um marco na minha vida. Gosto de brincar que ela encerra uma fase da minha vida (quando tinha oito anos anos eu a li, nos idos de 1987). Foi tão marcante que podemos dizer que há o antes e o depois de Batman – o cavaleiro das trevas. Não faço mais ideia de quantas vezes reli essa HQ.

TOP 1 – MINHA HQ FAVORITA: V DE VINGANÇA de Alan Moore e Dave Gibbons.

As Histórias em Quadrinhos e a Política, Parte 3: V de Vingança

Não sei ao certo como me referir a essa HQ. Seria V de Vingança uma poesia em quadrinhos? Prosa, definitivamente, é. Seu texto é profundo, assim como sua trama. Tem ao mesmo tempo uma leveza e uma capacidade de angustiar que poucas obras na literatura possuem. Para mim, é em V de Vingança que Alan Moore consegue imprimir o que há de melhor em sua mente analítica. A narrativa de V se centraliza e ao mesmo tempo se expande. É rica por causa de seu objetivo: discutir a política para além de um viés simplista de a favor ou contra o governo. É mais profundo. V representa o poder que pode dinamitar um sistema podre e falido (precisamos urgentemente de um V). O diálogo entre V e a estátua da Justiça é lindo, assim como a revelação de que V, outrora traído pela Justiça com um homem de botas e agora apaixonado pela Anarquia, agora  “deitava com o amor” do Ditador (o controle social). Maravilhosa. Também não faço ideia de quantas vezes li e reli essa HQ.

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