Documentários

8 Documentários Recomendados

Desde que me conheço por gente, gosto de assistir documentários. Um documentário é muito próximo do jornalismo e tem algo em comum com a ciência: a representação parcial da realidade. Essa definição é básica e está na Wikipédia para qualquer pessoa, curiosa sobre o tema, poder ler. O documentário, enquanto uma linguagem cinematográfica, se pauta em perspectivas que se mostram tanto em conflito quanto em cooperação. Acho essa observação interessante na medida em que, muitas vezes, é pouco clara a divisão que existe entre o que é ficção e não-ficção num documentário. O que, deixo claro, não faz com que esse gênero cinematográfico possa ser categorizado em um lado ou outro. Temos, na verdade, algo híbrido e aí reside a maior riqueza na produção de um documentário.

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As estratégias para fazer com que um documentário atinja seu objetivo (como qualquer “produto”) é ter um tema e assunto que desperte interesse. Mas aí tu pode me dizer:

– Porra, Ben Hazrael, mas tudo não é interessante pra alguém no frigir dos ovos?

A pergunta é certeira e concordo com ela, mas o que podemos perceber na maioria imensa dos documentários é que o tema/assunto e problema a ser documentado é conduzido por pessoas que nos trazem suas cargas pesadas (sem conotação de valor, nesse sentido) e, por meio de seus discursos e narrativas retratados, nos fazem firmar posicionamentos, nos solidarizar ou nos horrorizar diante daquela realidade apreendida por meio de uma imagem ou de uma fala. É claro que essa construção segue, em sua maioria das vezes, um formato pré-determinado que começa na pré e termina na pós produção. O documentarista e sua equipe não são neutros. Carregam percepções e mais ou menos interferem naquele “objeto” a ser documentado: uma guerra civil, um epidemia, uma biografia, uma violência qualquer que seja ou uma experiência mística.  Tudo é interessante para alguém, assim como nada. A profusão de documentários, com mais ou menos recursos, permite entender que uma câmera na mão é um instrumento de ler, interpretar a realidade e fazer com que essa interpretação esteja disponível em todos os lugares. Os documentários, diferentemente dos filmes, tem esse poder maior da crueza (embora não diga aqui que os filmes não tenham essa capacidade) porque nos trazem aqueles e aquelas que são afetados/afetadas por algo. Que agem e reagem.

Poderia discorrer mais e mais sobre a importância dos documentários, mas vou preferir dividir com os leitores e as leitoras do Cabaré das Ideias os documentários que considero os mais marcantes e preferidos. Alguns estão gratuitamente no Youtube.

The Bridge (A Ponte, documentário completo)

Um documentário sobre suicídio. Trabalhei em uma aula de Estratégia de Prevenção ao Suicídio na disciplina de Psicologia e Políticas Públicas. É forte e impactante, especialmente por mostrar os atos em si (foi mais de um registrado) e toda a história pregressa.

Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos (completo)

Documentário dirigido e produzido por Marcelo Masagão sobre a história extremamente conturbada do Século XX. Fabuloso.

Buena Vista Social Club (completo no Netflix)

Documentário de Wim Wender sobre o Buena Vista Social Club. Imperdível para quem aprecia história cubana e jazz latino. Extremamente interessante.

The Garden (o Jardim, completo no Netflix)

Um documentário extremamente interessante sobre a forma como comunidades de cidades (no caso Los Angeles nos EUA) se organizam pra preservar bens públicos e todos os conflitos envolvendo a posse da terra, as falhas sistêmicas do Poder Público em dar segurança e proteção social às comunidades e a ganância descontrolável da especulação imobiliária. Excelente documentário.

Marmato (completo no Netflix)

Documentário de Mark Grieco sobre o pueblo de Marmato, rico em ouro e amaldiçoado pela pobreza. Maldição maior ainda com a chegada de uma companhia canadense autorizada pelo governo colombiano a explorar a jazida de ouro de Marmato sem contar, necessariamente, com os mineradores locais (já estabelecidos há seculos no local). Uso esse documentário na disciplina de Avaliação de Impacto Ambiental que ministro no curso de Mestrado no qual sou professor.

La Bestia (completo no Netflix)

La Bestia é um documentário sobre a migração de centro americanos até os EUA por meio de uma viagem clandestina nos vagões de um trem que atravessa inúmeros países da região. O documentário retrata de forma crua (e necessária) todos os horrores (como relatos sobre violência sexual, assaltos e espancamentos de migrantes, mortes por acidentes nos trilhos, etc) dessa viagem de trem.

Hot Girls Wanted (completo no Netflix)

Produzido por Rashida Jones, Hot Girls Wanted é um documentário no Netflix sobre a indústria do entretenimento sexual. O documentário acompanha a vida de algumas garotas envolvidas nessa indústria, conta parte de suas histórias e descobrimos, como telespectadores, todo o glamour e, ao mesmo tempo, toda a perversidade de se viver nessa realidade.

A Corporação

E se tu, ao pensar uma empresa dessas multinacionais, a analisasse como uma pessoa com comportamento psicopático? Pois é. Este é o mérito desse documentário. Assustador, no final das contas.

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