História em Quadrinhos

Nemo – coração de gelo: resenha com cointreau

Cheguei na Saraiva MegaStore de Belém e me deparei, na sessão de quadrinhos, com o volume especial de “A Liga Extraordinária: Nemo – coração de gelo” e quase tive um treco de satisfação! Para mim, a Liga Extraordinária é um dos melhores grupos de anti-heróis que há nas histórias em quadrinhos. Claro, uma “criação” de Alan Moore, quer mais o que? Digo criação entre aspas porque – para quem leu as HQ’s – todos os personagens ali envolvidos nos volumes iniciais (e mesmo mais recentes) da Liga Extraordinária envolvem personagens clássicos da literatura: Mina Harker, Alan Quartemain, O Homem Invisível, Mr. Hyde, Orlando (mais tardiamente) e, claro, Nemo.

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 Quanto a este último, sempre fui fascinado (desde criança) por sua história em A Ilha Misteriosa e Vinte Mil Léguas Submarinas. Julio Verne, seu criador, nos apresenta o pirata que, embora queria se manter alheio ao mundo, toma parte dele quando necessário para lutar contra a opressão. Alan Moore se apropria dessa premissa e nos entrega um príncipe Dakkar com um código ético peculiar que termina por conduzi-lo numa miríade de aventuras – sempre que possível contra o Imperialismo britânico e, até, com o Imperialismo britânico. Mas o volume “Nemo – coração de gelo” não trata de Dakkar, o Capitão Nemo, mas sim de sua filha e herdeira, Janni.

Quando Alan Moore a “criou”, ele a concebeu como a herdeira sem querer ser herdeira, até mesmo pelo machismo de seu pai, que desejava um filho herdeiro e não uma filha. Janni carregou essa sombra por todas as suas aparições nos volumes de A Liga Extraordinária, mas é em “Nemo – coração de gelo” que ela assume-se como uma Nemo e acompanhamos sua atuação mais interessante: ela viaja à Antártida para terminar a aventura que seu pai não conseguiu. E sabe que aventura seria essa, leitor e leitora do Cabaré das Ideias?

Ir até as Montanhas da Loucura.

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Não sabia que esse era o “destino” da história. E fiquei profundamente contente ao descobrir que Alan Moore ia levar uma personagem fantástica como Janni Nemo até o ambiente descrito no livro Nas Montanhas da Loucura de H. P. Lovecraft. Tenho de dizer que esse livro de Lovecraft é umas das minhas 5 ficções científicas preferidas. E Alan Moore as trouxe junto ao ilustrador Kevin O’Neill: há a representação dos Anciãos, os pinguins cegos gigantes, a cidade perdida, etc. Tudo está lá para ambientar uma trama que mostra uma filha querendo superar seu pai. Superar, mas no fim das contas, se aceitar como uma Nemo. Não vou dizer o final da história, mas recomendo a leitura desse volume especial de A Liga Extraordinária, publicado aqui pela Devir Livraria. Para quem gosta de personagens femininas fortes e bem desenvolvidas, essa HQ é um prato cheio, mas fica aquela sensação de que “poxa, esse volume não podia ter ao menos mais umas 150 páginas”? Pois é.

Para adquirir seu exemplar, clique aqui e boa leitura e diversão!

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