Cinema e afins

7 Filmes para se pensar a liberdade

O que é a liberdade? O que é necessário para se sentir livre?

Em geral, enquanto viajo a trabalho ou mochilando ou as duas coisas ao mesmo tempo, gosto de pensar que sou livre, mas ao mesmo tempo preciso pensar se sou ou estou livre. Liberdade é uma condição? E a liberdade existe apenas enquanto há um limite? Para responder ao menos a primeira pergunta e acredito que também a segunda vou me permitir um grau cômodo de existencialismo e recordar Sartre (o autor do espetacular A Náusea e do impactante O Ser e o Nada): a liberdade é angústia. E mais: estamos condenados a ser livres (e achar que o inferno são os outros, repetiria bêbado se estivéssemos numa mesa de bar, leitor e leitora do Cabaré das Ideias).

É claro que podemos e devemos trazer essa discussão sobre a liberdade em Sartre (embebida na premissa de que ser livre é ser capaz de escolher) para os quadrinhos. Me lembro do Tio Ben, prestes a morrer e repetindo a Peter Parker (o Homem Aranha) que “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Está aí explícita a escolha. A própria não-ação é escolha e aí dou outro salto e paro nas páginas do Tao Te King, obra atribuída a Lao Tzu, aonde o filósofo chinês afirma que o princípio do wu-wei é “agir pelo não-agir”. Tudo, de uma forma ou de outra, está vinculada ao processo de escolha. Retomando Sartre, o indivíduo têm liberdade, mas além, ele é a liberdade:

“Assim, não temos nem atrás de nós, nem diante de nós, no domínio luminoso dos valores justificações ou desculpas (…) o homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não criou a si próprio; e no entanto livre, porque uma vez lançado ao mundo é responsável por tudo quanto fizer…” (J.-P. Sartre. O Existencialismo é um humanismo. Lisboa, Presença, s/d, p. 226)

Steve McQueen em

Steve McQueen em “Papillon”

É claro que a dimensão da liberdade ultrapassa a esfera da Filosofia. A Economia, por exemplo, tem no indivíduo e sua condição de escolha (e preferências) o alicerce fundamental da Microeconomia com sua abordagem da Escolha Racional. Neste caso, temos a escolha delimitada em parâmetros ditos racionais, nos quais o indivíduo busca maximizar suas preferências. Para além do individualismo metodológico na Economia, temos também a Ciência Política que usa (e abusa, mas ainda bem que Jon Elster colocou freios  nessa alucinada crença de racionalidade irrestrita fantasiosa, caso tenham curiosidade leiam “Ulisses Liberto”) dessa dita Escolha Racional para explicar as preferências (na dimensão político-eleitoral, por exemplo). A liberdade na sua figuração moderna é entendida a partir da capacidade do “cogito ergo sum” de Descarte e, acreditem, esse papo vai longe. Se a Filosofia e mesmo as Ciências Sociais Aplicadas se detiveram na discussão sobre a liberdade em parâmetros que na maior parte das vezes estiveram bem longe do “grande público” (o que quer que seja isto), o cinema (bem como a literatura) aproximou e muito os debates sobre a liberdade em diversas frentes. E fiz uma lista de 7 filmes (tinham vários outros, como Matrix, Moonrise Kingdom, A Última tentação de Cristo, etc, mas preferi focar na diversidade de temas) que discutem de maneira direta ou indireta a liberdade e mostram, por A + B, que debater a liberdade é algo que será feito até que não restem mais seres humanos nesse planeta e tenho a impressão que as máquinas, nossas sucessoras enquanto espécie dominante, continuarão esse debate infinito.

Free (Livre)

Assisti recentemente e curti demais. Reese Witherspoon interpreta Cheryl Strayed, uma mochileira que atravessa centenas de kilometros dos EUA em meio a diversos ecossistemas, mas especialmente refletindo seu passado para poder, de uma forma ou de outra, poder re-experimentar a vida. “Livre” tem uma mensagem poderosa que, particularmente, me atingiu em cheio. Viajar em busca de que? Assistam, é um filme belíssimo e não é a toa que se chama “Livre”.

Um Sonho de Liberdade (The Shawshank redemption)

Tim Robbins interpreta Andy Dufresne num dos filmes mais emocionantes que pude assistir. Em “Um Sonho de Liberdade” temos literalmente a sensação, ou melhor, o gosto do que é a liberdade e sua contraparte, a prisão. O filme merece ser visto e revisto infinitamente. A cena da ópera é brilhante.

Mar Adentro

Javier Bardem interpreta Ramon Sanpedro, um tetraplégico que escolhe morrer, exatamente, ele exercita sua liberdade, mas uma liberdade restrita, já que demanda de outras pessoas seu desejo: a morte. Mar Adentro é um filme forte, definitivamente, e que traz inúmeras reflexões para um mundo além de bem e do mal como escreveu Nietzsche.

Abre los Ojos

Um de meus filmes preferidos (tanto na sua versão original espanhola quanto na hollywoodiana), “Abre los Ojos” é um filme de Alejandro Amenábar que soube muito bem discutir a realidade de maneira não dissociada da liberdade (e até que ponto somos verdadeiramente livres diante daquilo que a sociedade nos oferta e mesmo impõe?), como se esse filme fosse um texto existencialista. Belíssimo.

K-Pax

K-Pax é um filme fantástico que nos presenteia com as atuações magistrais de Kevin Spacey (Prouth) e Jeff Bridges (Dr. Powell). A premissa do filme é aparentemente simples: Prouth afirma ser um alienígena. E está internado por isto. É um louco, certo? A liberdade no filme está na dicotomia dentro X fora do hospital psiquiátrico? Não. Prouth nos convida a olhar para fora dessa dicotomia e aí reside a verdadeira “escada para o céu”.

Um Conto Chinês

Ricardo Darín mais uma vez mostra porque é um dos gigantes da interpretação nesse filme. Ele interpreta Roberto, um comerciante honesto, mas duro, para não dizer rabugento, alguém que afasta as pessoas de si e vive numa solidão claustrofóbica. É claro que tudo muda com a chegada de um inadvertido chinês que estabelece o vínculo de Roberto novamente com o mundo, fazendo com que se permita escolher ser feliz. É um filme muito bonito que vale a pena ser assistido (e tem no Netflix).

Papillon

Se tem um filme que me fez ansiar, quase gritar por liberdade, foi este: Papillon. Neste filme, temos Dustin Hoffmann e Steve McQueen (o “Papillon” do filme por sua borboleta tatuada) no mais tenso filme sobre uma fuga de uma prisão (no caso, na Guiana Francesa e acreditem, o filme baseia-se na biografia de Henri Charrière). Tudo conspira contra os fugitivos. A busca por liberdade é algo tangível para quem assiste. É verdadeiramente angustiante.

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4 pensamentos sobre “7 Filmes para se pensar a liberdade

  1. gostei pakas da sua lita. eu acrescentaria o filme club da luta, q tbm fala sobre liberdade mas de uma forma totalmente diferente e foda, e se gostar do filme, com certeza tbm ira gostar da serie mr robot

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