História em Quadrinhos

Saga de Brian K. Vaughan e Fiona Staples- volume 1: resenha com cointreau

Ano novo, post novo!
O que faz uma história em quadrinhos (ou literatura) empolgar seu leitor e sua leitora?
Personagens facilmente identificáveis como “bons e maus”? Ou personagens mais humanizados e, por isto, em zonas cinzentas entre estes extremos maniqueístas de “bem e mal”? Situa-los em um ambiente de conflito, com perseguição política e policial? Inserir dimensões românticas a esse conflito e, portanto, novamente humanizar as personagens? Imprimir ao enredo da trama complexos dilemas morais aos protagonistas ou não? Melhor deixar essas questões apenas aos coadjuvantes, por isto coadjuvantes e, “portanto”, descartáveis?
imagePoderia continuar a elencar uma série de questões como estas para começar a falar sobre “Saga”, uma das mais prestigiadas HQ’s dos últimos anos (e muitos anos) lançada nos EUA e, finalmente, publicada no Brasil pela Devir (por R$ 59,90). Brian K. Vaughan, criador de HQ’s fenomenais como “Y – o último homem” e “Ex Machina”, e Fiona Staples (que ilustradora, pela Força!!!!), nos presenteiam uma HQ que, conscientemente, nos insere, leitores e leitoras, numa trama que, sem dúvida, podemos chamar de saga. O nome não surge à toa: seus protagonistas, Alana e Marko, são soldados envolvidos num conflito entre duas raça e, para sorte ou azar (a depender de quem observe), tem uma filha, Hazel, em meio a esse conflito. E, por isto, uma espécie de alta traição e com uma consequência “assustadora”, uma bebê híbrida, o casal precisa fugir de seus algozes.
Neste primeiro volume encontramos todos os elementos narrativos que nos prendem a uma HQ ou livro que podemos afirmar serem bons ou muito bons: dinâmica narrativa, cenários bem ilustrados, diálogos engraçados (entre Alana e Marko) e sérios, personagens aparentemente caricatos e que se desvelam bem mais profundos que suas cômicas aparências (o caso do Príncipe Robô IV), etc.

imageNeste primeiro volume de “Saga”, temos todo esse cenário ambientado, aparentemente, num conflito não apenas entre duas raças, mas entre tecnologia científica e magia, o que permite vislumbrar muito do potencial narrativo da série. Brian K. Vaughan não explica muita coisa de sua “Saga” neste primeiro volume. E nem estranho. Quem o conhece como escritor, sabe que seu trabalho é bem mais orgânico e depende muito da extensão planejada da trama. Comparo, neste sentido, a um disco do Pink Floyd: se você baixar uma única música de cada álbum da banda, como “Dark Side of the Moon”, “Animals”, “Wish You Were Here” ou “The Wall”, perderá a organicidade dos álbuns. Com o trabalho de Brian K. Vaughan é o mesmo. Ele nos fisga a atenção de imediato e nos “condena” a acompanhar seu trabalho de maneira completa.
“Saga”, como o próprio nome infere, é uma jornada. Jornada esta que já foi vencedora de três Eisner Awards e seis Harvey Awards, além do Hugo Award para melhor Graphic Novel. Recomendo muito a aquisição dessa HQ, ainda mais para quem está de saco cheio dessas HQ’s mensais farofa da DC e da Marvel (com suas cada vez mais raras exceções).

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