História em Quadrinhos

Doutor Estranho & Doutor Destino – triunfo & tormento: resenha com cointreau

A Panini Books relançou, ao final do ano passado, um dos maiores clássicos de histórias em quadrinhos publicados pela Marvel Comics (ao menos na minha opinião): “Doutor Estranho & Doutor Destino – triunfo & tormento”. Roteirizada por Roger Stern, ilustrada por Mike Mignola e arte finalizada por Mark Badger, “Doutor Estranho & Doutor Destino – triunfo & tormento” é uma obra magistral por um motivo muito simples: ela retrata o Doutor Destino para além daquele maniqueísmo tacanho típico de HQ’s de super-heróis. Em “Doutor Estranho & Doutor Destino – triunfo & tormento”, não é o “super-herói” Doutor Estranho o real protagonista da HQ. O protagonista é o Doutor Destino e na história em quadrinhos conhecemos, de forma muito bem elaborada, alguns dos motivos pelos quais Victor Von Doom é quem aparenta ser.

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Na HQ, Mestre Gêngis convoca, em nome do Vishanti, os maiores magos e bruxas da Terra. A ideia por trás da convocação é a definição de quem deverá ser o maior Mestre das Artes Místicas da Terra. É claro que, como uma HQ de super heróis, tem uns combates inúteis, mas que não são descabidos. Ao contrário. Pertencem muito bem ao jogo e trama que Roger Stern constrói na HQ. E quando digo isso é por causa do Doutor Destino. Ao contrário do que alguns/algumas leitores e leitoras do Quarteto Fantástico podem pensar, o Doutor Destino – antagonista maior de Reed Richards – não é apenas um gênio científico, mas também foi um mago poderoso. Essa característica dupla do personagem o deixa ainda mais interessante no álbum “Doutor Estranho & Doutor Destino – triunfo & tormento”. A biografia de Victor Von Doom é marcada por inúmeras tragédias que potencializaram seu espírito arrogante e dominador. Mas nada é fortuito ali. E podemos perceber isto pelo desfecho do “combate” de que se sairá o Mestre das Artes Místicas da Terra. E, no caso, é o Doutor Estranho que se sai vencedor, mas numa virada da trama, não é o vencedor que recebe um desejo, mas aquele outro que também tenha sobrevivido ao combate e, no caso, é o Doutor Destino.

E o desejo do Doutor Destino não é usar as habilidades de magia de Stephen Strange, o Doutor Estranho, para alguma espécie de dominação mundial (como o mago havia pensado), mas seu desejo é recuperar a alma de sua mãe, Cinthya Von Doom, capturada por Mefisto por meio de um pacto mal sucedido ( e qual não é?). Para cumprir a promessa de libertar a alma da mãe do Doutor Destino, o Doutor Estranho vai até a Latvéria se preparar, junto a Destino, para a invasão do inferno de Mefisto e a luta pela alma de Cinthya Von Doom. E o Doutor Estranho conhece, então, a biografia do Doutor Destino pelas palavras de seu mais fiel servo, Bóris. Não apenas dele, na verdade, mas também do Mestre Gêngis. Mas é por meio da narrativa de Bóris que podemos visualizar o homem Victor Von Doom antes de ser o Doutor Destino e suas motivações.

victor-cynthiaNada é fortuito para o Doutor Destino. Tudo é devidamente calculado e essa característica que deixa o personagem ainda mais interessante. No inferno, enquanto resgatam a alma de Cinthya Von Doom e enfrentam toda maledicência de Mefisto, Destino se comporta como o personagem extremamente interessante que é: manipulador e obstinado. Mike Mignola (meu ilustrador preferido ou seria J. H. Williams III?) retrata perfeitamente o clima inóspito de opressão do inferno de Mefisto e também a desesperança em Cinthya Von Doom. Mas como disse, se há algo interessante em Destino é sua força de vontade. E ela é imensa e nunca tão bem retratada. Para recuperar a alma de sua mãe, Victor Von Doom aceita o preço amargo a ser pago, mas ainda assim é sua a vitória final. É única a surpresa de Mefisto e do Doutor Estranho. O Doutor Destino se mostra além das visões limitadas que fazem sobre si. Surpreende tanto ao herói quanto ao vilão. Não o torna um super herói, mas permite ao leitor visualizar para além do maniqueísmo barato que muitos autores o confinam. Não vou entregar como se dá essa vitória realmente sombria do Doutor Destino, mas ela me fez ficar ainda mais fã do personagem. E digo isso porque essa HQ clássica foi publicada pela Editora Abril na década de 1980 e há muitos anos eu não a lia. Re-ler agora, num álbum pela Panini Books, foi uma experiência fantástica. Se tiver que dar uma nota de 0 a 10 para essa HQ, creio que 12 é a melhor nota.

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Um pensamento sobre “Doutor Estranho & Doutor Destino – triunfo & tormento: resenha com cointreau

  1. cara, acho essa história bem simples, como eram as hqs de super heróis em sua maioria até a decada de 80. mas é muito poderosa, feita tendo como base o conhecimento e o respeito a caracterização dos personagens. Poucas vezes Victor Von Doom foi tão bem retratado! acho que essa é uma história simples, inteligente e divertida,elementos cada vez mais raros (pra mim claro) no gênero de super heróis.
    abração!

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