Cinema e afins/Sci Fi no Cinema

“Em Chamas” – Jogos Vorazes e a fome por liberdade

Em geral, quando viajo a trabalho (na verdade meu alter ego), busco ir a um cinema da cidade. É uma forma de desanuviar a cabeça de índices e indicadores que sugam as ideias. E para repor as mesmas, nada melhor que assistir a um filme. Melhor ainda: um bom filme. E foi o caso de “Em Chamas”, segundo filme da Trilogia Jogos Vorazes.

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Para começo de conversa, “Em Chamas” supera o filme original e mais: aprofunda melhor a densidade psicológica e política da história que existe ao redor (e não por trás) dos “Jogos Vorazes”, o espetáculo nefasto de “diversão” que rege a totalitária sociedade que vive a personagem protagonista Katniss Everdeen (interpretada pela excelente Jenniffer Lawrence). Para quem gosta de histórias sobre distopias, “Em Chamas” é um prato cheio. É verdade. Se você tem algum preconceito quanto a histórias distopicas aparentemente juvenis, esqueça! “Em Chamas” nos traz (pelas mãos do diretor Frances Lawrence, que dirigiu salvo engano meu outro filme que gosto bastante, “Eu Sou a Lenda”) uma trama amadurecida em relação ao primeiro filme. A presença do Presidente Snow (interpretado por Donald Sutherland) é carregada de absoluto controle. Seu poder é pesado, como toda ditadura o é. E esse governo autoritário usa e abusa de dois poderes: mídia e abuso da força policial. Nestes dois poderes se baseia toda a base de sustentação desse regime atroz. Há um diálogo entre Snow e Katniss que reflete muito bem esse sustentáculo nefasto do regime, nas também sua fraqueza.
A rebelião que se faz nos 12 distritos o deixa (ao Presidente Snow) ainda mais ensandecido no desejo de eliminar Katniss, especialmente por ela representar algo tenebroso para ditaduras: esperança. E a esperança é traduzida de forma política, o que nos traz o anseio por liberdade. Não a liberdade fajuta da TV, mas a liberdade que está dentro de cada um e cada uma nos momentos mais íntimos ou quando dividimos sonhos com alguém. O que mais me chamou a atenção neste filme foi justamente mostrar que regimes autoritários se partem ao meio e sua quebra ocorre, em muito, devido a implosão e não apenas a explosão, revelando que cada um e cada uma, mais ou menos, contribui para a mudança política necessária.
Katniss Everdeen, ao final do primeiro filme, se tornou um símbolo. Mesmo não o desejando. Mas tragada pelo tsunami da história, ela não pode e não consegue escapar desse papel de símbolo para aqueles e aquelas que não desejam mais compartilhar de atrocidades midiaticas que legitimam repressão. E se antes havia dito que é uma besteira rotular de ruim um filme (ou poderia ser um livro, tanto faz) por ser uma distopia com uma jovem protagonista, agora tenho de dizer que só alguém muito insensato ou insensata para não admirar a construção da personagem Katniss. E o digo agora mais do que um símbolo político: mas como pessoa, mulher e guerreira. No primeiro filme, Katniss é insegura, forte, mas insegura. Neste segundo filme ela está mais desenvolvida, ainda mais forte, não no sentido de ser apenas uma arqueira excepcional, mas por se revelar mais humana, com acertos e falhas (e Jenniffer Lawrence marca boas personagens ou seria o contrário?). Esse aspecto de humanizar (e deixá-la ainda mais desafiadora) mais e melhor a protagonista me deixou ainda mais fã dela, em especial pelo filme ter dado mais consistência ao universo de coadjuvantes, sugando dos mesmos e das mesmas mais conteúdo e, assim, mais substância para o desenvolvimento de Katniss. Acreditem, em alguns momentos do filme pensei: essa guria deve ser parente da Ellen Ripley.
Encerro essa resenha de “Em Chamas” com o desejo real de ver o final dessa trilogia, ainda mais depois da cena final, cujo olhar de Katniss me persegue até agora.

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Um pensamento sobre ““Em Chamas” – Jogos Vorazes e a fome por liberdade

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