Literatura

O Exorcista – resenha com cointreau

Sou um fã confesso de “O Exorcista”, clássico filme de terror de 1973 dirigido por William Friedkin. Em minha opinião, não há melhor filme de horror que este. A atmosfera densa do filme, o desespero das personagens e o crescente horror que se expande em conformidade ao nível de inferno – perdoem-me o trocadilho – que a história fomenta n@s telespectadores (as). Mas não é o filme que vou resenhar, mas o livro de William Peter Blatty (que também escreveu o roteiro do filme). E acreditem, o livro é tão bom quanto o filme. Mas com uma diferença: há uma crescente atmosfera de dúvidas em cada página do livro quanto ao caso de possessão de Regan (a excelente Linda Blair) e essas dúvidas são inseridas por meio do Padre Karras.

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Há um jogo no livro. Um jogo de credulidade. Quais os limites da Ciência para explicar fenômenos como a possessão demoníaca? Se a mãe de Regan, Chris MacNeil, é tomada pelo desespero e incredulidade na Ciência, o Padre Karras “lê” todos os acontecimentos envolvendo Regan como distúrbios psicossomáticos. A crise que o cerca envolve a religião e a ciência. A morte de sua mãe o deixa fragilizado na sua fé. E se há algo que a fé cristã é perita é na instauração da culpa. E o Padre Karras é um personagem carregado de culpa. Assumir a responsabilidade pelo caso clínico – reforce esse aspecto, clínico – de Regan faz a tensão e stress de Karras assumir proporções ainda maiores. Chris, como mãe, não se importa mais se é Ciência ou a Religião que irá salvar sua filha. O que importa, verdadeiramente, é que ela seja salva. William Peter Blatty consegue imprimir no livro uma necessidade absurda de razão, porque Pazuzu é o oposto da razão, do método, até mesmo da lógica, porque sua lógica é distorcida. E, enquanto um demônio é traiçoeiro, se é que existe demônio. Há uma passagem, inclusive, que Pazuzu brinca com essa denominação e também joga com a racionalidade dura de Karras. Se Pazuzu esperava por Merrin (como o encontro de velhos inimigos precisando fechar as pontas soltas desse doentio relacionamento de guerra espiritual), seu confronto de verdade é com Karras. E, além deste conflito externo entre Karras e Pazuzu, há o conflito interno entre fé e razão dentro de Karras. Tudo é passível de explicação científica e, ao mesmo tempo, não. Que caminho, portanto, seguir para entender adequadamente o que ocorre com Regan? Essa tensão está em cada página do livro  – assim como no filme –  e a resposta, verdade seja dita, não vem com o final do livro. Provavelmente vou relê-lo. E daí atualizarei essa resenha.

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