Documentários

Terráqueos – documentário completo

Era o ano de 2007. Vivia no Recife e fazia Mestrado em Ciência Política no período.  Tomei o refúgio na Tríplice  Jóia (um termo do Budismo para o que seria a “conversão”, embora tenha receio sincero de usar esse termo) e buscava viver de acordo com algumas regras básicas. Uma delas era evitar comer carne. As circunstâncias pessoais até ajudavam no período, pois uma ex namorada também buscava seguir essa regra e, no vai e vem de papo sobre vegetarianismo, descobri um documentário chamado “Terráqueos”. Me avisaram no período que o conteúdo do Documentário era forte. Não exitei:  e assisti. E acreditem: foi um baque de tão impactante. O documentário produzido e dirigido por Shaun Monson e co-produzido por Persia White, narrado pelo ator Joaquin Phoenix e com trilha sonora do (sensacional) Moby, retrata a conexão existente entre a humanidade e as outras espécies do planeta. E retrata, sem meias verdades, a crueza dessa relação. Dependemos dos animais para tudo: para comer, para nos divertir, para nos vestir, para nos salvar. Este último ponto, inclusive, é interessante de se pensar diante dos últimos acontecimentos relativos aos beagles resgatados no Instituto Royal. No caso a dependência que nosso modelo científico (fortemente cartesiano e baconiano, o que merece até um trocadilho) tem de experimentação animal. Nem vou entrar no mérito dessa necessidade. Só acredito que há uma verdadeira preguiça e mesmo má fé de parte da comunidade científica em deixar de explorar outros meios (como simuladores virtuais, o que ouvi dizer que a UFRGS vem desenvolvendo) para testar vacinas ou, para a indústria dos cosméticos, seus cremes e condicionadores. Há, inclusive, cientistas de envergadura que defendem romper com essa dependência:

Ray Greek, médico norte-americano contrário a testes em animais, disse, em entrevista à Veja em 2010, que as pesquisas em animais se constituem uma verdadeira falácia:

Não temos informações suficientes para criar 100% do corpo humano e isso não vai acontecer nos próximos 100 anos. Mas não precisamos de toda essa informação. O que precisamos é saber como e do que um receptor celular é constituído — isso já sabemos — e a partir daí podemos desenvolver, no computador, remédios baseados nas leis da química que se encaixem nesses receptores. Depois disso, a droga é testada em tecido humano e depois em seres humanos. Antes disso acontecer, contudo, muitos testes são feitos in vitro e em tecidos humanos até chegar em um voluntário humano.

Earthlings

Retomando a ideia da dependência que temos, enquanto espécie, das outras espécies animais no planeta, o documentário “Terráqueos” apresenta, passo a passo, como essa dependência é perversa, especialmente pelo caráter cruel do processo de uso dos animais. E quanto a perversidade, particularmente digo em relação o processo de industrialização e descarte que imprimimos, culturalmente, às outras espécies. Vivemos e crescemos cada vez mais distantes daquilo que comemos e não apenas no caráter geográfico entre a região que produz os alimentos e a população que consome-os. Há crianças em São Paulo (entre outras cidades do mundo) que não associam o leite que tomam ao animal (vaca). Acho isso assustador porque escutei isso uma vez de uma criança. Achei assustador pelo caráter dissociado empregado. Ou então nas rodas de bares (como escutei neste último final de semana) a famosa frase: “não queira saber como se faz uma salsicha”. É claro que dei boas risadas à mesa, mas ainda assim vale a pena pensar nessa escala produtiva de alimentos.  E na forma como são processados. Quando relembro notícias da doença da “Vaca Louca” (Encefalopatia Espongiforme Bovina) volto a ficar horrorizado.

Meu horror, particularmente dizendo, refere-se a forma descartável como a vida é encarada. Não há sacralidade alguma. Não sacralidade no sentido religioso stricto sensu, mas o respeito. Não há quem me convença que retirar uma pele de guaxinim ainda vivo é um processo necessário. É, para mim, o cúmulo da futilidade às custas de outras espécies. Ah, Ben Hazrael, mas e ae, vai fazer o que, então? Parar de comer carne? Parar de usar perfume? E etc, etc, etc. Não vou dizer que se deve parar de comer carne, até mesmo porque no último ano e meio voltei a comer (não com tanta regularidade, mas ainda assim comendo), mas acredito que é possível pensar, ao menos, na industrialização da carne e na forma pouco respeitosa que temos com o que comemos. Desejo voltar a ser vegetariano. Ainda continuarei a me associar ao impacto que a industria animal causa, afinal, o vegetariano se alimenta de ovos e leite e seus derivados, mas é um passo e já fui e continuo disposto a lidar com esse karma.

De toda forma fica o convite aos Cabarénautas assistir ao documentário “Terráqueos” e tirar suas próprias conclusões. Abaixo disponibilizo o documentário completo.

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