Cinema e afins/História em Quadrinhos

Batman vs Superman: Qual o limite das adaptações das HQ’s pelo Cinema?

Venho me fazendo essa pergunta título do post há um bom tempo. E ainda não veio uma resposta razoável. E duvido muito que virá e o motivo é bem simples: de verdade, não acredito que existam limites estabelecidos a priori. Primeiro porque são duas artes distintas que se cruzam e, no atual momento, a segunda (o cinema) bebe diretamente da primeira (as histórias em quadrinhos). Não que essa relação seja de mão única. Ao contrário. É uma relação de mão dupla, mas como toda relação pode chegar a desgastes que podem, caso a caso, serem bem profundos, especialmente para fãs (os nerds sebentos).

Parte dessa pergunta que me fiz vem de um acalorado debate sobre o realismo da Trilogia Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan. De antemão digo que sou fã mesmo dessa trilogia e não vejo uma melhor adaptação realizada pelo cinema de algum personagem de histórias em quadrinhos. E muito do brilho dessa Trilogia Cavaleiro das Trevas foi oriunda do que o próprio Nolan afirmou ser uma característica de seus filmes com o Batman: o realismo.Imagem

O mérito dessa abordagem  é inegável, até mesmo para quem torce o nariz para a abordagem do Nolan com o Cavaleiro das Trevas. Pelas minhas últimas sondagens, Batman Begins faturou por volta de 530 milhões de dólares, Batman – O Cavaleiro das Trevas faturou em torno de 1 bilhão de dólares e Batman – O Cavaleiro da Trevas Ressurge. É muita grana. E se há algo que a Warner Brothers (e poderia ser a Fox ou a Disney, tanto faz) quer é que seus filmes rendam e rendam muito.

Os Vingadores foi um filme de super-heróis com uma pegada muito diferente da Trilogia Cavaleiro das Trevas. E isso não é demérito, de forma alguma. Os Vingadores foi um filme extremamente divertido, daqueles que um apreciador e uma apreciadora de HQ’s vibra a cada cena (as cenas envolvendo o Hulk foram as minhas favoritas). É claro que o nível de realismo ali é muito reduzido, se fossemos elaborar e aplicar uma escala para mensurar o realismo de uma adaptação de histórias em quadrinhos para o cinema. Mas aí vem um problema: a falsa dicotomia que passou a imperar entre filmes que adaptam HQ’s com um formato realista (como a trilogia Cavaleiro das Trevas) e filmes que adaptam HQ’s com um formato mais fantasioso ou fantástico (como os Vingadores ou mesmo O Homem de Aço).

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E está aí o problema. Não vejo essa distinção tão clara envolvendo os filmes do Batman, dos Vingadores e do Homem de Aço. São filmes inspirados em histórias em quadrinhos que, em si, são fantásticas. Podem ser mais ou menos realistas. Demolidor, filme horroroso protagonizado por Ben Afleck, foi um filme de um realismo fantástico. E sabe a diferença entre o realismo fantástico de Demolidor e do Batman – O Cavaleiro das Trevas? Sua base e sua base são as HQ’s dos personagens e nelas Matt Murdock ganhou poderes de maior percepção sensorial (pra compensar sua deficiência visual) e depois treinou artes marciais com Stick; enquanto Bruce Wayne não ganhou poder algum, mas treinou artes marciais, ciência aplicada e investigação. Ambos saltam de prédios, lutam com diversos inimigos (muitas vezes ao mesmo tempo), tem seus ossos quebrados, múltiplas lesões, etc. E, com essa pequena diferença (que considero), os personagens se distinguem e suas adaptações seguem essa toada (Demolidor nem tanto).

E agora, após o sucesso de O Homem de Aço e a confirmação de sua sequência incluindo o Batman, há uma ilusória clivagem entre os filmes da Trilogia Cavaleiro das Trevas e o Homem de Aço, especialmente por uma falsa dualidade entre o realismo da Trilogia Cavaleiro da Trevas e a abordagem ‘superheroística’ de O Homem de Aço, especialmente porque Superman tem poderes e, logo, se torna incompatível agregar o Batman na sequência de O Homem de Aço.

Acho meio sem sentido esse debate especialmente porque não importa que tipo de Batman seja incluído na sequência de Homem de Aço, ele ainda será humano. Não interessa que seja um Batman: Arkham City ou da Feira da Fruta. Ainda assim será um personagem humano, não limitado, mas humano. Não aproveitar o universo criado pela Trilogia O Cavaleiro das Trevas é realmente desperdiçar um potencial cinematográfico e mesmo de carisma da trilogia da memória das pessoas. E correr, de certa forma, um risco. Quando me lembro de mudança de atores no papel de Bruce Wayne/Batman em um espaço de tempo muito reduzido foi uma tragédia (Michael Keaton/Val Kilmer/George Clooney) e duvido muito que a Warner queria cair numa armadilha desta de novo.

E aí chegamos ao ponto de trazer Christian Bale novamente ao papel de Batman. Eu acredito que essa seria a melhor saída. Por uma questão de segurança. Não sou sócio da Warner, mas imagino a apreensão dos Executivos da Warner em apostar de forma segura (e sabemos que a Warner desperdiça excelentes produções por ser inábil em produzir filmes baseados no repertório da DC, diferente da Marvel Studios/Dinsey com o catálogo de personagens Marvel). Há um boato circulando que a Warner teria oferecido 50 milhões de dólares para que Christian Bale retomasse o manto do Morcego. É muita grana. Torço para que seja verdade e para que Bale aceite. O exemplo da Marvel/Disney com Robert Downey Jr. com o Homem de Ferro é bem ilustrativo de não se arriscar perder um ator que é associado diretamente ao personagem. Dizer que Bale é divertido como Downey Jr. é besteira, mas afirmar que as pessoas que assistiram seus filmes como Batman não o admiram é outra besteira, veja esse caso, por exemplo.

Não vejo incompatibilidade entre a Trilogia O Cavaleiro das Trevas e o filme O Homem de Aço. Acho que é muito mais seguro trazer Bale de volta, fazer novos filmes do Batman (mais dois, por exemplo) e encerrar com um filme da Liga da Justiça. Aí sím, mas particularmente duvido que isso vai ocorrer, acredito que um novo ator será escolhido para interpretar o Batman. Será uma pena. Mas a vida nas HQ’s e no cinema segue adiante.

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Um pensamento sobre “Batman vs Superman: Qual o limite das adaptações das HQ’s pelo Cinema?

  1. boa análise, mas considero Superman e Batman compatíveis. São heróis com apurado senso de justiça, que operam de formas diferentes: força x astúcia. O quão épico não está sendo o confronto desses dois personagens em Injustice gods among us, que aliás, renderia um excelente adaptação para o cinema

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