História em Quadrinhos

Atire!

Ellis

A criança aponta a arma e dispara. Um tiro direto na cabeça de outra criança. Poderiam ser adolescentes e na maior parte das vezes são adolescentes que fazem isto. O choque inicial das outras crianças é grande, mas também grande é a apatia das mesmas. Quase como se seus corpos fossem inabitados por uma mente e por um alma (nefesh). Você assiste uma e mais uma e mais outra vez os vídeos estes assassinatos. Busca identificar um padrão, com uma boa e velha segurança cartesiana, nestes assassinatos. Perde seu sono, perde sua vida social, perde sua vida, porque seu objetivo é descobrir um padrão que leve a identificar uma causa clara para os motivos destes inúmeros assassinatos. Então, você descobre. Quase não acredita, mas é verdade. Você descobre um elemento que está presente em todos os vídeos dos assassinatos. E esse elemento, esse padrão, se chama John Constantine.
“Atire” foi uma história em quadrinhos escrita por Warren Ellis com arte por Phil Jimenez e Andy Lanning engavetada pelo então Editor Chefe da DC Comics, Paul Levitz com a “desculpa” que a HQ chocaria as pessoas nos EUA por um motivo: envolvia a morte de adolescentes por adolescentes numa escola dos EUA. A HQ seria lançada numa coincidência macabra após o Massacre de Columbine, uma tragédia que ficou mundialmente conhecida por causa do documentário de Michael Moore, intitulado “Tiros em Columbine”. Neste documentário (fabuloso e ganhador do Oscar), Michael Moore nos apresenta a tragédia de Columbine, mas vai fundo nas causas sociais desta tragédia, fugindo do maniqueísmo rasteiro que a mídia estadunidense buscou apresentar. E o que ele revelou foi uma cultura individualista impregnada de desigualdade e laboratório de ódio habilmente manipulada pela indústria da morte (industria bélica e sua Associação Nacional do Rifle).
Em “Atire”, Warren Ellis nos apresenta esse mesmo quadro, mas com uma ênfase mais psicológica. Atire! É a palavra na boca de quem vai morrer. É quase um pedido. Afinal, John Constantine revela à protagonista (que trabalha no Senado dos EUA, nada melhor pra representar a distancia entre @s representantes e @s representados) que a causa que ela tanto buscava estava a sua frente e o tempo todo: a desesperança das crianças e jovens.
Constantine funciona como a dose cavalar de realidade, revelando uma verdadeira “crônica de uma morte anunciada”. Ou várias.
A Panini Brasil publicou nas bancas e livrarias “Atire” no volume Vertigo Especial. R$ 19,90. Vale muito a pena ter em mãos essa HQ. E como diz John Constantine:
“Olhe para os lábios do garoto (…) veja.”
Atire…

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