Cinema e afins/História em Quadrinhos/Sci Fi no Cinema

A dimensão “nerd” do arquétipo feminino: o Dia das Mães

Hoje é Dia das Mães. Espere, verdade seja dita todo dia é Dia das Mães. Essa data convencionada hoje, no caso brasileiro, é muito mais uma convenção comercial que, necessariamente, cultural. Ainda mais se levarmos em consideração a história. Mas o objetivo desse post não é discutir o porque dessa data, mas a representação do arquétipo materno na dinâmica cultura pop do cinema e dos quadrinhos.

E preciso dizer, de antemão, que a representação da mãe nessa indústria cultural voraz é muito reflexo da representação da mulher: em geral reduzida a uma coadjuvante numa história maior protagonizada – majoritariamente – por homens. Essa redução, para o caso da mulher como mãe, beira a santidade. É o único aspecto que resta à mulher. Exemplos? Martha Wayne, sempre uma sombra de Thomas Wayne (até adota seu sobrenome), simplesmente a mãe do Batman. E o que mais? Pergunte a um fã do Batman qual a profissão de Martha Wayne. Poucos saberão. De Thomas Wayne saberão. Era médico.
A redução do arquétipo feminino a uma condição não é uma variável dentro da industria cultural nerd. É parte de algo maior. Ser mãe é algo belíssimo. Algo que é admirado e mesmo adorado há milênios, nas mais diversas culturas. As deusas estão aí (ou “estiveram”) para comprovar: Ishtar, Ísis, Gaia, Kali, etc. 
Se entendermos que nossa cultura é herdeira dessas outras culturas (herdeiras diretas ou indiretas, que seja!), como a figura da mulher foi tão reduzida? E quando digo reduzida me refiro, substancialmente, a condição da sacralidade da condição feminina ser projetada unicamente na condição materna? Besteira o que digo? Pense bem. No próprio Cristianismo há sempre a dicotomia entre a Pura e a Impura. Pura é a Virgem Maria e Maria Madalena é a impura por ter “sido prostituta”. O sexo, aí, define essencialmente essa dualidade (e não acredito nenhum pouco que Maria tenha concebido Virgem e muito menos permanecido virgem após a concepção e também não acredito que Madalena tenha sido prostituta, foi uma liderança no início do Cristianismo e provavelmente esposa e companheira de Jesus, mas o patriarcalismo foi e é muito forte na Igreja e suprimiu isto). 
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Essa dicotomia religiosa chega a pleno vapor à industria cultural nerd, que brinca e joga com os arquétipos femininos. Como disse antes, as figuras maternas são restritas, reduzidas e realmente coadjuvantes. Mas há exceções, louváveis exceções. Que me lembre de imediato há a Tenente Ripley, dos filmes Alien. Assistimos àquela astronauta lutando contra aliens, mas também temos vislumbres de sua maternidade e de sua sexualidade, tudo adequadamente enquadrado nos roteiros dos 3 primeiros filmes (o quarto não considero). Outra personagem é Sarah Connor, de O Exterminador do Futuro 1 e 2. De uma jovem ingênua do primeiro filme a uma guerreira ensandecida no segundo filme. Nos quadrinhos, num momento pré-reboot da DC Comics, tivemos a Mulher Gato mãe, vivendo histórias interessantíssimas de se manter uma vigilante, ladra, amante-adversária do Batman e mãe de Helena. Ou, no universo expandido de Star Wars, Mara Jade, ex agente do Imperador Palpatine, guerreira Jedi e companheira de Luke Skywalker e mãe de Ben Skywalker. São exemplos interessantes de como, ainda que sob um forte condicionamento cultural, a diversidade feminina é existente. Graças à Força!!!!
A verdade é que esse post é mais uma reflexão sobre como o arquétipo é retratado na cultura, especialmente a cultura chamada nerd. Pretendo, inclusive, esmiuçar mais essa análise, mas de toda forma acredito que essa análise do Dia das Mães faz parte de um quadro maior do Dia a Dia da Mulher. 
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