Realidade Overpower

Café: uma experiência sensorial e quase metafísica

Tenho um acalorado caso de amor com café. De preferência, um bom café expresso. E embora as máquinas de café expresso estejam disseminadas nos mais diversos cantos deste planeta, há uma grande diferença entre um café expresso preparado de forma correta e outro preparado (?) de qualquer forma. Recomendo, dependendo da qualidade do grão, que o expresso seja extraído aos 25 segundos (na verdade, recomendo sempre). Acreditem: assim como a qualidade do grão é importante, também o é o preparo (e está incluída aí a extração). Para maiores informações sobre o preparo de um bom café expresso, clique aqui.

Desde que morei na cidade do Recife (de 2006 a 2009), passei a buscar conhecer mais e melhor cafés e cafeterias. Me lembro que lá frequentei assiduamente o Delta Café. No Delta Café, pude conhecer e aprender sobre alguns grãos. Do mais caro, “Jamaica- Blue Moutain”, ao “Ethiopia – Mocca Harrar Longberry” (MHL, meu preferido). É claro que a preferência ocorre muito devido realmente ao paladar de cada um. Por exemplo, ao desfrutar do MHL, sinto no paladar (e no bolso) uma característica muito peculiar desse grão: é pouco encorporado e, pela Força!, possui um aroma delicioso.

E, por falar em aroma, só senti tanto prazer olfativo com um café quando estive em vivendo na Cidade do México. Conheci, na região do Zócalo (centro histórico da Cidade do México), um café simples em decoração (na verdade, bem rústico), mas que me proporcionou uma bela degustação (grãos vindos de Oaxaca), com um excelente aroma e baixa acidez e, claro, bem encorpado. Seu nome? Café “Brasil – La Balsa”. Obviamente dei uma boa risada ao entrar (e permanecer por horas, trabalhando) neste café, “Brasil – La Balsa”. Além do bom atendimento, um preço muito camarada (22 pesos mexicanos pelo café expresso duplo).

Para apreciadores de café como eu, uma das primeiras coisas a se fazer na bela San Cristobal de las Casas é ir ao Museo do Café. Na verdade, minha vontade era literalmente mergulhar nessa história.

Para apreciadores de café como eu, uma das primeiras coisas a se fazer na bela San Cristobal de las Casas, em Chiapas, é ir ao Museo do Café. Na verdade, minha vontade era literalmente mergulhar nessa história.

A experiência mexicana com cafés foi realmente intensa. Outro que apreciei bastante foi o “Cafe de la Olla” que tomei no tradicional Café Potzollcalli, também localizado no Zócalo (frequentei tudo por lá, porque vivi num hostel na Calle Brasil, no Zócalo). Preparado como um “café de bule”, o Café de la olla” leva suco de laranja, gengibre e açucar mascavo e, depois do almoço é muito, mas muito bom! Mas realmente o melhor café que tomei na Cidade do México foi o “café turco” preparado no Jekemin Café, localizado na Calle Isabel la Católica com Calle Regina, também no Zócalo. Verdade seja dita, acho que meu alter ego escreveu um artigo sobre corrupção (em co-autoria com as Regimes Girls) e um relatório científico integral somente com o que tomou de “café turco”. Lembro-me de perguntar de onde eram procedentes os grãos e, sem surpreender, a proprietária do Café me disse que encomendava os grãos eram de Oaxaca. Que sabor! Encorpado (muito devido ao preparo diferenciado do café turco) e com um aroma impossível de não se deixar seduzido e uma capacidade de energizar a mente que muito sinto falta hoje em dia.

526717_3461460487613_834646032_n

Outra experiência muito interessante com cafés que passei foi em Buenos Aires. Lá fui ao Museo Beatle, um espaço muito bem organizado e, como não podia deixar de ser, me aventurei pelo Café-Bar chamado ‘The Cavern Club”. E não deixei passar a oportunidade de pedir um “Café Especiale George” – porque George Harrisson foi o meu Beatle preferido. O café, contudo, não foi espetacular como o beatle. Um expresso duplo com creme e uma bebida chamada “Tía Maria”. Mas, leitor e leitora do Cabaré das Ideias, também tive uma ótima experiência com um bom café em Buenos Aires. No Café Express Mezzo y Mezzo, no bairro de San Telmo (não me lembro a “calle”), pude desfrutar de um bom café portenho expresso duplo , encorpado e com baixa acidez e com um bom “rastro” no paladar.  Outro bom café que desfrutei em Buenos Aires foi no tradicional “Café Los Molinos”, na avenida Santa Fé, 2202. Pedi dois cafés “cubanos” (expresso acompanhado de rim, creme e canela). A combinação de rum, a forte textura do café e a canela permitiu uma excelente experiência degustativa (o café desce fervendo a garganta!).

A verdade é que pretendo escrever um livro sobre minhas experiências (que passam longe de estarem completas) com café na América Latina. Por enquanto, conheço alguns bons cafés no Brasil, Argentina, Uruguai e México e já venho catalogando grãos de Brasil, Colômbia, México e Guatemala. Espero ter tempo para fazer isto tão logo seja possível e, enquanto isso, vou aprendendo um pouco mais sobre café para, quem sabe, um dia poder abrir meu próprio Café-Bar.

Anúncios

2 pensamentos sobre “Café: uma experiência sensorial e quase metafísica

  1. To rindo do “O café, contudo, não foi espetacular como o beatle.”
    Podia virar uma série de posts sobre cada tipo de café por onde passou, inclusive e principalmente no Brasil.

    Estou até sentindo o gosto desse café com rum. As vezes faço em casa, e graças ao Fran’s Café aprendi e viciei tomar com conhaque, faça frio ou calor. Divino.

    E será que sou a unica que tem preconceito com o starbucks? Desde o expresso comum brasileiro até o de ~grãos colombianos torrados na hora com sabor encorpado~ eu sinto o mesmo gosto em todos, como um pó velho vencido coado 500 vezes com dose tripla de água de torneira. E você joga açúcar naquilo como se não houvesse amanhã, mas nem assim…

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s