História em Quadrinhos

Planetary – conheça um mundo estranho

O que faz uma história em quadrinhos pular do status de “algo simples” para “algo genial” na nona arte? Não sei. Tenho certeza que não há uma fórmula que permita uma resposta fácil. Até mesmo porque quando faço uma recapitulação das minhas HQ’s preferidas, a primeira observação que tenho é que as mesmas possuem gêneros e temáticas muito distintas entre si. Exemplos: V de Vingança e Sandman, Preacher e Batman: o cavaleiro das trevas, Authority e Calvin & Haroldo, Do Inferno e Demolidor: a queda de Murdock, Os Invisíveis e Daytripper. Poderia continuar a discorrer por linhas e mais linhas desse post, mas ainda assim a possibilidade de encontrar uma resposta a pergunta que originalmente formulei provavelmente continuaria sem resposta. Mas ainda assim, no fundo conseguimos identificar uma HQ que seja “fenomenal”, que nos desperte uma sensação extasiante de leitura e nos demanda furiosamente que leiamos página por página. E posso com toda a segurança nerd que me cabe incluir Planetary, de Warren Ellis e John Cassaday, como uma dessas HQ’s que são fenomenais e que podem seguramente ser classificadas como “geniais”.

Publicada pela Wildstorm entre 1999 e 2003 com sua última edição, de número 27, publicada em Outubro de 2009 (depois de um hiato de anos entre o número 26 e o número 27 da série) e algumas edições especiais, dentre as quais o crossover espetacular Batman/Planetary que pretendo, um dia ainda resenhar aqui para o Cabaré, foi uma das mais bem sucedidas séries de HQ lançadas pela Wildstorm (antes e depois de ser incorporada pela DC Comics). E do que trata essa série “Planetary”? Planetary é uma série que insere muitos elementos da cultura literária, cinematográfica e de quadrinhos que imperou ao longo do século XX e no século XXI numa série em quadrinhos. A premissa da história é “relativamente” simples, aspas mais do que merecidas: existe uma Fundação Planetary, que possui escritórios em todo o mundo e se dedica a “preservar o mistério do mundo”.

A riqueza da série está justamente neste ponto: buscar, através de histórias fechadas, ainda que interdependentes, a interação dos “agentes de campo” Elijah Snow, Jakita Wagner e o Baterista, com elementos da cultura do século XX. Exemplos? Jakita Wagner é filha de um personagem clássico (adequadamente reinterpretado para a série), seja do cinema, literatura ou quadrinhos; e Elijah Snow é o verdadeiro protagonista da série, pois através dele – que no início da série é desmemoriado e recuperar essas memórias seja justamente o fio condutor da trama – que conhecemos as homenagens (constantes) a personagens e contextos que imperam na cultura, especialmente a cultura nerd. Nestas homenagens temos tudo lá: monstros gigantes dos seriados japoneses e, especialmente, a releitura de personagens. O “funeral” de “John Constantine” é ótimo para ilustrar esse caso, até mesmo porque, da perspectiva de Warren Ellis, o funeral significou a mudança de percepção nos quadrinhos adultos, veja a Vertigo. Ou a alteração nada significativa do “Quarteto Fantástico” para a série – os 4 -, como temíveis vilões que buscam o conhecimento pelo poder e não aceitam dividir o conhecimento com o resto da humanidade. O Planetary busca o oposto e esse conflito é uma ótima chama para a trama, permeando-a de mitologia aborígene, experiências xamânicas, ciência experimental, etc. Mas há tudo isto e mais, muito mais. 

Lamentavelmente, até hoje, não se publicou toda a série Planetary no Brasil. Não chega a ser uma maldição como foi a de Preacher (que levou anos e anos para ser publicada na íntegra no Brasil e isso graças ao esforço editorial da  Panini), mas ainda assim é uma lástima. Espero que a Panini publique a série o quanto antes. Mas enquanto isso não ocorre, para fazer download e ler toda a série Planetary, clique aqui

Planetary é uma viagem ao longo do século XX, mas essa viagem é uma viagem através de nossas experiências. É uma leitura extasiante, como já disse, e vale a pena conhecer esse mundo estranho. E deixá-lo sempre assim. 

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