Cinema e afins

Top 5 Personagens Desajustados no Cinema

Acho que nunca escondi de ninguém que tive a oportunidade de conversar – virtualmente ou ao vivo e a cores – que prefiro filmes e livros que contenham não apenas roteiros bem estruturados, mas personagens que sejam desajustados e que promovam – através de seus discursos (muitas vezes delirantes) e comportamentos – situações sui generis que me levem a rir e imaginar a possibilidade desse desajuste ser real. Ou próximo disso.  

E os exemplos são muitos de filmes e livros. Talvez os diretores que melhor tenham trabalhado personagens desajustados (e com doses cavalares de humor) sejam David Fincher, Darren Aronofsky, Danny Boyle (aquele humor cinzento britânico), David Linch (talvez com menor humor) e Stanley Kubrick (humor macabro). Acho que a lista de diretores é muito maior, claro, mas este “quinteto fantástico”  de diretores são, na minha opinião, os que melhor trabalharam personagens desajustados no cinema.  E criar um Top 5 apenas no cinema – como me proponho neste post – é uma tarefa muito ingrata, mas dane-se. Todo Top 5 realmente é uma dificuldade sebenta de se fazer, mas ainda assim é muito bom. Então vamos lá!

5. Donnie Darko

Um desajustado por natureza. Donnie Darko, escrito e dirigido por Richard Kelly, retrata a vida “esquizofrênica” de um adolescente estadunidense “preso” a uma realidade entediante, careta e sem graça. A loucura, talvez, seja a melhor solução para si. E é aí que reside a “originalidade” do desajuste do personagem: Donnie Darko experencia situações delirantes, se não fossem delirantes e reais. Reais? Pois é. De certa forma reais, especialmente por lidar dentro de seu cotidiano com fenômenos como viagens no tempo, presciência e mesmo fantasmagoria. Donnie Darko seguramente tem direito de figurar nesse top 5.

4. Nina (Cisne Negro de Darren Aronofsky)

Fico em dúvida se a bailarina Nina deveria estar mais a frente nesse Top 5. E a razão é relativamente simples: Nina é completamente desajustada. Delirante de carteira assinada. Obsessiva. E, claro, reprimida sexualmente. Muito reprimida, diga-se de passagem. Cisne Negro de Darren Aronofsky é um filme brilhante que retrata de forma magistral até onde pode levar a loucura. E Nina (interpretada magistralmente por Natalie Portman) merece com todo o louvor estar nesse Top 5. Tenho medo até hoje da mãe da Nina.

3. Jack Torrance ( O Iluminado de Stanley Kubrick)

Baseado no romance “O Iluminado” de Stephen King, este filme dirigido magistralmente por Stanley Kubrick retrata um personagem completamente desajustado (Jack Torrance) e brilhantemente interpretado por Jack Nicholson. Toda a paranóia, controle, desespero, entre outras mazelas psicológicas são somadas ao clima claustrofóbico e sobrenatural do filme. Jack Torrance é o exemplo perfeito do desajustado. E do desajustado extremamente letal. Merece mesmo estar nesse Top 5. Acho que deveria comprar o DVD desse filme o quanto antes. É espetacular, simplesmente espetacular e Kubrick conseguiu a proeza de representar muito bem até onde pode ir a loucura. Machados, definitivamente, não combinam com portas.

2. Jack/Tyler Durden (Clube da Luta de David Fincher)

Clube da Luta é genial. Seja o filme ou o livro que o inspirou. E o filme é tão genial que foi um fracasso de bilheteria. Não um fracasso retumbante, mas ainda assim um fracasso. E acho que isso deixou o filme ainda mais genial – obrigado David Fincher. Até porque, “obedecendo” a premissa do livro, qualquer sucesso nesse modelo de merda que vivemos é, no fundo, apenas parafina ou cosmética pura: você vai continuar frustrado e se ferrando. E Jack (Edward Norton) é a perfeita representação da vida sem graça que a modernidade nos presenteia se formos pequenos burgueses. E a saída dessa situação, para o desajustado Jack, é criar uma contraparte que além de mandar, enfia no rabo da realidade tudo que é empurrado goela abaixo do cidadão comum. E essa contraparte é Tyler Durden (Brad Pitt). Todo o filme é um grande e fantástico delírio. Marla Singer (Helena Bonham-Carter) é uma desajustada completa. Putz, ela e Jack/Tyler Durden se encontram em grupos de auto-ajuda. A razão canhestra é que são frustrados e infelizes insones que necessitam compartilhar, melhor, receber doses cavalares de sofrimento alheio para se sentirem melhor. Tyler Durden está pouco interessado nisso tudo. Quer dizer, até que está, mas como o filme trata de um desajustado de dupla personalidade, nem precisamos avançar muito na explicação do porque ele (s) merece estar na segunda colocação desse Top 5. Porra, a ideia do sabão é genial demais. A trilha sonora é perfeita. Vou repetir: o filme delirante é genial.

1. Max (Pi de Darren Aronofsky)

Cabala. Guematria. Matemática. Solidão. Teoria do Caos. Mercado Financeiro. Misture tudo isso com π e você vai começar a entender porque raios Max (Sean Gullette) está como o Top 1 personagem mais desajustado do cinema na minha opinião. Darren Aronofsky, Sean Gullette e Eric Watson escreveram um roteiro que simplesmente retrata uma mente já em completo desequilíbrio. Max é um brilhante matemático que busca encontrar matematicamente um padrão universal, mas o desajustado personagem sofre de uma especie de “heliofobia” (medo do sol) e uma dificuldade gigantesca de se relacionar socialmente. A direção de Aronofsky somada a trilha sonora de Clint Mansell e a interpretação de Gullette imprimem um ritmo frenético que só ressalta, no transcorrer do filme, o nível completamente desajustado do personagem. Max merece o “honroso” primeiro lugar por nunca ter o pé na realidade. Está sempre para além. E para estar mais para cá da realidade, é necessária uma furadeira. Max é o personagem metafisicamente mais desajustado que vi no cinema. Não consigo ver ninguém próximo do nível de seu delírio.

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2 pensamentos sobre “Top 5 Personagens Desajustados no Cinema

  1. A Nina além de desajustada é ladra também. rs

    Também gosto deste tipo de personagens, acho que o cinema tinha que explorar muito mais esse tipo de figura, pois mesmo com todos os desajustes, eles são cativantes, a gente sente uma certa simpatia por eles como se nos identificássemos com os nossos próprios demônios pessoais.

    Ótima lista, abraço!

    Curtir

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