Music in the Space

Pink Floyd Immersion Box Set – The Dark Side of the Moon: resenha com cointreau

The Dark Side of the Moon, álbum setentista do Pink Floyd, toca de forma ininterrupta em meu aparelho de som há pelo menos quatro semanas (vez ou outra cede espaço a um disco ao vivo do Genesis, um disco do Underworld e outro do John Coltrane e só) e, agora, enquanto escrevo essa resenha preenche meus ouvidos e espírito com a canção “Time”. Nem sei, portanto, como começar essa resenha sobre um dos maiores discos da história da música (seja rock, jazz, bossa nova, blues, etc) em uma versão especial denominada “Pink Floyd Immersion Box Set – Dark Side of the Moon”. Acho que, na verdade, já existem resenhas suficientes – em inglês, espanhol, português, francês, alemão, até em mandarim e hindi – e não pretendo me esmiuçar numa resenha técnica (até mesmo porque não tenho gabarito para tanto), mas numa resenha de fã atento. E advirto: impressionado. Porque essa edição Immersion do álbum Dark Side of the Moon é simplesmente nababesca, espetacular, incrível, etc.

Primeiramente, é bom situar o disco “The Dark Side of the Moon” não apenas dentro do contexto histórico e musical ao qual se inseriu. Lançado em 1973 é considerado por muitos a obra prima do Pink Floyd. Os motivos são diversos e concordo com cada um deles. Primeiramente, a maneira interdependente que existe no disco, com uma ligação quase metafísica entre as canções, “obrigando” ao seu ouvinte apreciar o disco como um todo e não como um “apanhado de músicas”. Essa maneira orgânica concebida pelo Pink Floyd é instrumentalizada por canções que casam perfeitamente a experimentação musical mais “eletrônica” (percebam realmente a complexidade harmônica do disco, é de espantar) usual do Rock Progressivo, que o Pink Floyd compartilhava com outras bandas (como o Genesis ainda sob Peter Gabriel e Tangerine Dreams) e ao mesmo tempo a robustez da pegada do Blues (fortemente marcada pelos solos de guitarra de David Gilmour ou pelos magistrais solos de sax de Dick Parry, parceiro de Gilmour em outras experiências musicais pré-Pink Floyd) , mas mais importante ainda, o álbum “The Dark Side of the Moon” foi o fruto de uma verdadeira “refundação” do Pink Floyd pós – Syd Barrett. E essa “refundação” foi completa e deu ao Pink Floyd uma nova direção (embora a fase inicial com Syd Barrett seja genial) e, verdade seja dita, o álbum “The Dark Side of the Moon” foi um trabalho conjunto da banda (diferente de discos como “The Wall” ou “The Final Cut”, muito mais ligados a Roger Waters) com letras inspiradas e composições geniais e por ser um trabalho conjunto reside aí, na minha opinião, a majestade deste álbum. Não temos, é verdade, uma dobradinha “Lennon/McCartney ou Page/Plant entre Gilmour/Waters, mas temos um conjunto perfeito – se posso dizer – entre Mason/Gilmour/Waters/Wright. E reside aí a verdadeira magia do disco.

A edição especial “Pink Floyd Immersion Box Set – Dark Side of the Moon” traz toda essa experiência musical sui generis do disco com extras, muitos e legais extras. Dois álbuns fotográficos, um dos quais retrata diversos momentos da elaboração do disco e o outro com fotografias de fãs, artes conceituais para o disco e letras das canções, réplica de ingresso, até um brinde que me parece um cachecol, cards, muitos cards, entre outros brindes. E, claro, os CD’s, DVD’s e Blu-Ray. Primeiramente tenho de confessar que fui completamente fisgado pelo CD intitulado “Live At The Empire Pool, Wembley, London 1974″. É simplesmente genial acompanhar o show ao vivo fazendo sentir-se, sob efeito de um bom vinho, como se estivesse lá, no distante ano de 1974, ainda mais ao “viajar” pelos improvisos do sax de Dick Parry ou os uivos estonteantes e surreais da cantora Clare Torry (que realmente mereceu ganhar um troco da banda no processo que moveu por ser co-autora da canção “The Great Gig In The Sky”). Um dos discos, para quem é fã de carteirinha do Pink Floyd, mostra as experimentações da banda no desenvolvimento do disco (o que é muito bacana no momento que se compara algumas canções antes e depois de concluído o disco) e outro disco é uma remasterização do disco, competente, mas nada que faça dar um salto carpado mortal de alegria por escutar. É no material extra (e no disco ao vivo) que reside o diferencial desse especial. E o DVD colabora e muito para a sensação de êxtase , especialmente, na minha opinião, pelo DVD 02 que traz o Pink Floyd ao vivo e a cores apresentando magistralmente as canções “Careful With That Axe, Eugene e Set The Controls For The Heart Of The Sun”. 

O especial “Pink Floyd Immersion Box Set – Dark Side of the Moon” é genial pelo que propõe: um conhecimento auditivo e visual mais aprofundado de um dos melhores discos da história da música. Entretanto, verdade seja dita, seu preço é bem salgado. Eu o comprei no México, enquanto residia lá neste ano de 2012. Mas digo: vale muito a pena economizar uma grana e comprar. Tanto vale que já estou pensando seriamente em comprar o “Pink Floyd Immersion Box Set – Wish You Were Here”. Uma pancada no orçamento, mas uma pancada que me deixará em êxtase como estou sentindo agora, ao escutar novamente “Breathe (in the air)”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s