Sci Fi no Cinema

Resenha de Cabaré: Prometheus

Toda pessoa que aprecia ficção científica e seja minimamente informada, sabe que Ridley Scott é uma espécie de “ente sagrado” – enquanto diretor – do gênero por ter dirigido o melhor filme sci fi de todos os tempos: Blade Runner. Sou da opinião que depois desse filme ele teria direito de produzir quanta merda quisesse que, ainda assim, encontrava-se assegurado no Paraíso Cinematográfico reservado só aos grandes diretores. Mas, verdade seja dita, um diretor não pode ser diretor de um filme só. E Ridley Scott não é. Basta acrescentar Alien – o oitavo passageiro ao seu currículo (confesso que meu sonho lovecraftiano seria ter Scott dirigindo “Nas Montanhas da Loucura”) ou mesmo Gladiador. Ridley Scott é um dos melhores diretores de sua geração, com uma produção mais positiva que negativa – do ponto de vista qualitativo – e que nos leva, seguramente, a desfrutar de um cinema de qualidade em tempos de diretores medíocres artisticamente como Michael Bay e seus Transformers.

Ao anunciar que retornaria ao universo cinematográfico de Alien, Ridley Scott deixou milhões de fãs pelo mundo em completa polvorosa e eu fui um deles. Alterou um pouco a premissa da história e deixou o filme “Prometheus” apenas indiretamente ligado a “Alien”. E isso, na minha opinião, foi fundamental para um dos melhores filmes de ficção científica – sim, com gosto de dizer FICÇÃO CIENTÍFICA – que assisti nos últimos e últimos anos.

A premissa da história é embebida diretamente de “Eram os Deuses Astronautas?” de Erich Von Däniken: cientistas no ano de 2089 (acho que é essa data) descobrem uma conexão cultural entre diversos povos da antiguidade que apontam diretamente para um mesmo denominador comum  celeste. E, patrocinados por uma mega corporação, vão investigar a origem alienígena da humanidade. Ridley Scott imprime um conflito bem leve entre religião e ciência e podemos perceber isto através da protagonista, a Dra. Elisabeth Shaw (a excelente Noomi Rapace) que, a todo tempo, se vê diante de um conflito de fé (no caso, ela é cristã), algo potencialmente explorado na relação com o andróide David (interpretado brilhantemente por Michael Fassbender). Um dilema tenebroso se impõe a Dra. Shaw: manter a fé num Criador judaico-cristão ou se render a evidência que somos apenas parte de um engenhoso plano – quase chistoso – de alienígenas (chamados de Engenheiros) que pouco se importam com a humanidade.  Prometheus, em minha opinião, trata muito mais de questões ligadas ao “risco moral” envolvendo as personagens da trama, especialmente a Dra. Shaw e David (os dialogos com David sao excelentes, sempre), e o elemento “para além do bem e do mal” envolvendo a noçao de criadores e criaturas (é desejo das criaturas matarem seus criadores?), até mesmo pais e filhos. Para a Dra. Shaw, quando necessita escolher, ela escolhe a segurança psicológica da sua religião, embora saiba que é muito difícil conciliar seu tipo de fé e o que a ciência lhe proporciona, mas espere: onde que o “Alien” entra nisso tudo? Posso assegurar que entra de forma marginal, embora tenha seu papel a desempenhar, mas a essência do filme trata da relação da humanidade com os Engenheiros.

Mais interessante ainda é a relação de David, um andróide, com os humanos. Afinal, como um andróide, ele foi criado pela humanidade e a humanidade busca encontrar quem a criou. David, no caso, teria uma vantagem na sua relação tumultuada e estrategica com a Dra. Shaw? Talvez. É interessante perceber que o único aliado possível a Dra. Shaw não é um “deus astronauta”, mas sim outro ser senciente, embora andróide e sem “riscos morais”, mas desejoso de conhecimento. Essa aliança, para mim, foi um dos pontos altos do filme. Especialmente com a decisão tomada ao final do filme pela personagem.

Afora todo esse dilema, Prometheus é um filme com cenas fortes – especialmente quanto a Dra. Shaw. Prometheus se mostrou um excelente filme, mas um filme para se apreciar mais de uma vez. Para pensar e deixar esse pensamento correr solto, sem amarras. Creio que Prometheus renovou a forma de abordar filmes sci fi e tal qual Blade Runner na epoca de lançamento, foi criticado por deixar muitas pontas soltas e Blade Runner por ser um filme que repetia cliches noir, mas com “robôs bobos”, enquanto Prometheus por ser um filme que não explica nada. Tal qual Blade Runner, deveria explicar tudo e não nos permitir pensar o “após” os créditos do filme? Creio que não.

Gracias, Ridley Scott.

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6 pensamentos sobre “Resenha de Cabaré: Prometheus

  1. Acho que vou ter que assistir ao filme de novo… rs Achei um tanto enrolado, com pontas soltas e enredo pouco conciso. Pretendo assistir outras vezes para tentar entendê-lo, prometo. 😀

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