História em Quadrinhos

5 Séries da DC/Vertigo que você precisa ler!

Sou fã da DC/Vertigo. E desde que foi criada e de imediato quando começou a ser publicada no Brasil há mais de vinte anos atrás. A DC/Vertigo se tornou o verdadeiro refúgio nerd na década de 1990 quando as HQ publicadas nos EUA e republicadas no Brasil sofriam de roteiros terríveis e pobres de conteúdo. A DC/Vertigo, portanto, era a “resistência” qualitativa nas HQ’s, capitaneada pela editora Karen Berger e tendo dois títulos como os principais do Selo: Sandman e Hellblazer (de John Constantine). Nem preciso dizer muita coisa sobre os dois títulos. Simplesmente são os pilares (ao lado do Monstro do Pântano de Alan Moore) de tudo que representa a Vertigo. A magistral Sandman, de Neil Gaiman, findou-se há muito tempo, enquanto Hellblazer continua a todo vapor (sua melhor fase foi sob as mãos de Garth Ennis, mas excelentes escritores passaram por essa revista, como Warren Ellis, Jamie Delano, etc).

Mas não é das séries mais conhecidas que quero concentrar atenção. A DC/Vertigo oferece, como uma de suas qualidades, uma verdadeira diversidade de títulos e temáticas. Embora os elementos sobrenaturais sejam muito presentes, não só eles ganharam estatura editorial no Selo (que o digam as recentes séries DMZ ou Northlanders), portanto, a DC/Vertigo possui em seus filões temáticas variadas e adultas, o que muitas vezes assusta alguns leitores (em geral os homens nerds que não costumam sair para a balada e são amargos e condenados a masturbação na solidão de seus quartos). É triste, mas é verdade.

Diante desse quadro nerd, decidi rememorar um pouco as publicações que mais me chamaram a atenção durante todo esse período que a DC/Vertigo faz parte da minha vida de leitor voraz de HQ:

5. Bruxaria de James Robinson

Imagine ler sobre um ciclo de horror, no qual ao longo da história, uma sacerdotisa – violentada e morta durante um ritual – recebe da “Velha”, da “Mãe” e da “Donzela”, três aspectos do Feminino Sagrado – o direito de se vingar de seu algoz. Simples? Não, longe disso. James Robinson escreveu, em minha opinião, sua melhor história e uma das melhores miniséries da DC/Vertigo que já tomei conhecimento. Bruxaria é uma história de vingança e uma vingança que tardou, mas não falhou. E o interessante é o observar este “como não falhou”. Muito excelente!

4. Os Livros da Magia de Neil Gaiman

Conhece o Harry Potter? Pois é. Tim Hunter é o personagem protagonista de “Os Livros da Magia” e, simplesmente, é exatamente o Harry Potter. Um garoto que há de se tornar o maior mago da Terra e, enquanto isso, precisa treinar muito para atingir seu potencial antes que as merdas comecem a acontecer. É uma série excelente que merecia ser republicada no Brasil (saiu pela Globo, se não me falha a memória). É tão boa, mas tão boa, que me fez nunca ter coragem de ler os livros do Harry Potter por considerar uma espécie de heresia.

3. Transmetropolitan de Warren Ellis

Spider Jerusalém é um jornalista fudidamente maluco. Escroto, mas com um verdadeiro faro jornalístico de fazer inveja. A série é uma grande bofetada na cara dos leitores e leitoras. E sabe porque? Por que Spider Jerusalém não pensa duas vezes (quer dizer, pensa sim) em descer ao nível da sujeira da sujeira pra apurar uma notícia e fazer questão de jogar a merda no ventilador. A série é uma das mais originais da DC/Vertigo e me faz pensar na falta que Warren Ellis faz ao selo DC/Vertigo. A Panini já publicou dois volumes da série no Brasil. Vale a pena cada centavo gasto, acreditem.

2. Y – o último homem de Brian K. Vaughan.

Ficção científica de primeira. Imaginem um mundo sem homens? É isso mesmo. Toda a história gira em torno do último homem na Terra, Yorick Brown, e a tentativa desesperada das mulheres em reconstruir um mundo sem o patriarcado representado pelo pênis, mas extrair esse patriarcado de suas almas. A história toda é sobre reconstrução, seja da vida de Yorick, Beth (sua irmã) ou da própria sociedade. É uma das melhores histórias, mas uma das mais tristes e poéticas também. A Panini está publicando toda a série em arcos e em preços razoáveis. Vale a pena gastar cada real nestes encadernados.

1. Preacher de Garth Ennis

Preacher é a criação máxima do desequilibrado do Garth Ennis. Não tem como não considerar isto. Simplesmente o depravado do irlandês criou uma história na qual Deus abandonou o Céu, meio que fugindo de uma criatura chamada Gênesis. O lance é que Gênesis “caiu” do Céu diretamente na cabeça do Pastor Jesse Custer, que num curto período de tempo foi um desses reverendos escrotos do Texas e  demais Estados do Sul dos EUA. Deste ponto em diante a história é uma correria maluca com direito a personagens como Cara de Cú, Tulipa, Cassidy, Santo dos Assassinos, Herr Starr, etc. Inclusive, Garth Ennis criou, na minha opinião, o vilão mais escroto e sacaneado das histórias das histórias em quadrinhos: Herr Starr. Tudo de ruim que podia acontecer a Herr Starr aconteceu. Não tinha como nao ficar transtornado. São tantos momentos engraçados – mas naquele humor irlandês doentio – que a história, creio, deveria ser retratada como uma comédia. Foram anos e mais anos, mais de uma decada para ser publicada integralmente no Brasil. Conseguem imaginar meu desespero para terminar de ler a série? E nem havia esse boom de scans por todo lado. Foi uma época difícil para @s fãs de Preacher, mas graças foi superada a “maldição”. Podem reclamar da Panini o quanto quiserem, mas nenhuma editora de HQ conseguiu cumprir a promessa de publicar integralmente Preacher e a Panini foi a única. Mais do que merecido o primeiro lugar, Preacher é o auge do não-politicamente correto, mas sem ser babaca como ocorre com alguns pseudo-humoristas no Brasil dessa bósta de “estan dápi”.

E vocês, leitores e leitoras do Cabaré das Ideias? Alguma sugestão para agregar a essa lista?

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7 pensamentos sobre “5 Séries da DC/Vertigo que você precisa ler!

  1. Acabei de ler o Bruxaria e adorei!! As falas são maravilhosas! Queria mais histórias com as Hecateas =/ de preferências escritas pelo próprio Gaiman…

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    • Ah, e os Livros de Magia são muitoooo bonnnsss, mas não tem nada a ver com Harry Potter, a magia do Gaiman/Vertigo é menos banal, é outro universo, não dá para comparar. *herege?!

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      • Ah, sabe, achei na época o Harry Potter completamente chupado do Tim Hunter e mais infantilizado, mas hoje estou mais flexível quanto ao Harry Potter 🙂

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    • Helu, no caso, foi o James Robinson quem escreveu o Bruxaria. Olha, há uma continuação de Bruxaria, ainda não li, está la em casa me aguardando retornar no México, pronta a ser lida/devorada. Acho que vou buscar essa HQ e dispor para download aqui no Cabaré. É boa demais e a galera que não conhece merece essa oportunidade. 🙂

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  2. Preacher é foda pra caraleo! Quando a Pixel apareceu por aqui botei a maior fé que iria ler muita coisa boa da Vertigo… Mas o preço era, digamos, um pouco salgado e em pouco mais de um ano acabou a festa da editora! A Panini está mandando bem nessas publicações, a galera é que tem que dar um jeito de comprar pra continuar!

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  3. Eu não acredito que não tem nada do Grant Morrison nessa lista. Um escritor tão inovador e que também fez história na Vertigo. Eu nunca tinha visto uma HQ com a complexidade de Os Invisíveis, e admito, fiquei muito impressionado com essa série.

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