História em Quadrinhos

DC New 52: resultados qualitativos esperados?

Primeiros arcos das revistas “DC New 52” foram fechados e o que podemos dizer sobre seus resultados qualitativos? Bom, primeiro dizer que quanto aos resultados quantitativos – de vendas – a DC conseguiu realmente mexer com o mercado de HQ nos EUA. E lidera os Top 10 e disputa com a Marvel mês a mês a liderança de vendas. Mas é aquela coisa, quantidade não quer dizer, necessariamente, qualidade. E por isto vou fazer uma breve avaliação do que foram alguns desses arcos de revistas que acompanhei todos as edições.

1. Liga da Justiça: arco completo, resultados qualitativos abaixo da expectativa. Me pareceu que Geoff Johns foi obrigado a escrever esta revista e buscou, ao máximo, fazer algo bom. Batman é, definitivamente, um personagem que Johns não sabe escrever – com excessão do Batman Thomas Wayne de Flashpoint. Mas o bom foi algo limitado a nova origem do Cyborg. E acho que só.

2. Action Comics: O que dizer de mais uma origem – em menos de 10 anos tanto Mark Waid quanto Geoff Johns escreveram uma “origem” do Superman – do primeiro super herói da DC? Bom, nas mãos de Grant Morrisson, eu confio e minha confiança foi recompensada. Action Comics de Grant Morrisson e Rags Morales nos apresenta um Superman completamente distinto de qualquer outro que já tenha lido. É mais ativo e menos escoteiro, é herói, mas com conteúdo. O ritmo do arco inicial, empregado pelo talento de Morrisson como roteirista do Superman, é alucinante. Gostei tanto que comprei as edições estadunidenses aqui no México. Acho que Action Comics é a melhor série de DC New 52. E tenho dito.

3 – Mulher Maravilha: Brian Azzarello conseguiu, como escritor, adentrar no seleto hall de autores que revolucionaram positivamente personagens que beiravam o ostracismo, como foi o caso do Lanterna Verde Hal Jordan pelas mãos de Geoff Johns. Também é o caso da Mulher Maravilha. Embora George Pérez tenha feito um excelente trabalho na década de 1980 com a personagem, Azzarello – agora com o DC New 52 – imprimiu uma modernidade na personagem que nunca vi antes. E veja bem a dificuldade: Diana é uma personagem ligada à mitologia e é riquissima em seu próprio universo, mas uma série de escritores tentaram e não conseguiram – na minha opinião – dar gás à personagem e empolgar realmente com sua revista. Brian Azzarello respeitou a mitologia grega ligada à Diana, mas a deixou mais trágica e humana. A revista está excelente. Espero que Azzarello ainda permaneça por um bom tempo e dê estrutura a Mulher Maravilha, como a personagem fantástica que é merece.

4 – Lanterna Verde e Tropa dos Lanternas Verdes: nada demais. Segue a boa toda organizada e capitaneada por Geoff Johns e Peter Tomasi nos últimos anos. E sim, Sinestro como Lanterna Verde é muito interessante.

5 – Liga da Justiça Sombria: Maior supresa do DC New 52. Quando anunciaram essa revista foi um soco em meu estômago, mas dei chance e valeu a pena. Peter Milligan conseguiu criar uma “equipe” sui generis e bem caracterizada. John Constantine está canalha e salafrário como é na Vertigo. E Zatanna está maravilhosa.

6 – Stormwatch: a incorporação completa da Wildstorm ao Universo DC tem seu ponto alto no Stormwatch. Paul Cornell trouxe o que havia de melhor no antigo Authority e redimensionou  o grupo como Stormwatch agregando o Caçador de Marte e fazendo-os agir “na surdina” do Universo DC. Perfeito! E o Caçador de Marte, nesta versão, “caiu como uma luva” no Stormwatch e, acredito, seu lugar é ali mesmo. Mas estou receoso com a revista do Stormwatch, agora que Paul Cornell não é mais o escritor. Vamos ver o que virá, porque o primeiro arco foi fántástico, especialmente pelo maluco do “Adam One”.

– O Sombra: James Robinson se recuperou bem da horripilante “Liga da Justiça” que escreveu antes do Reboot – como escritor – com essa série, em 12 edições, acredito, do Sombra. A história está primorosa. James Robinson destila conhecimento do personagem Sombra e o leva a cenários e situações excelentes para a dinâmica da trama, especialmente no arco que envolve “Le Sangre”, sua “filha” heroína vampira de Barcelona. O Sombra é uma das melhores revistas da DC New 52 em minha opinião e poderia perfeitamente se tornar uma série fixa.

Estas seis revistas são as que acompanhei com mais regularidade. Animal Man, por Jeff Lemire, também é excelente e All Star Western também é ótima e Batwoman é unanimidade na avaliação qualitativa (J. H. Williams como ilustrador é impecável e como roteirista está segurando e bem a peteca). As revistas do Batman mantém um padrão excelente há alguns anos e por isto nem acrescentei a esta lista. Ruim mesmo – na minha opinião – é a revista dos Novos Titãs. Está terrível de ler.

No geral, realmente o Universo DC melhorou com o Reboot, especialmente personagens como Superman e Mulher Maravilha, que precisavam de mais oxigênio em suas histórias. Espero que continue o bom desempenho das revistas, grosso modo, e que a vindoura revista “Terra 2” seja excelente pelas mãos de James Robinson.

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4 pensamentos sobre “DC New 52: resultados qualitativos esperados?

  1. Ótima postagem. Dos citados só acompanhei Liga da Justiça e achei fraco. Por outro lado adorei Batman e Detective Comics. Mas agora fiquei curioso quanto à Stormwatch e Liga da Justiça Sombria.

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  2. Li todos esses com exceção de Green Lantern com o Hal Jordan porque eu não consigo gostar do cara. Mas eu achei todas essas revistas primorosas, incluindo Justice League. Não sei, mas eu gostei bastante da história inicial deles e agora está tendo um desenvolvimento ainda maior. Sem falar que o Cyborg deu um nova cara para o quadrinho, porque eu totalmente não esperava vê-lo ali. Sinto falta do J’oon, mas eu concordo que ele se encontrou em Stormwatch. Action Comics é realmente excelente e o Morrison sabe como te matar aos poucos ): O Superman dele é uma coisa muito fofa, gente! Wonder Woman está sendo um dos meus quadrinhos preferidos também, junto de Justice League Dark que, agora nessa nova arc, está meio fraco. Mas devo dizer que eu gosto da maneira como eles são escritos; trabalhando uns com os outros por deverem favores ou porque querem tirar algo disso. Me gusta.

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