Literatura

Review com Tormenta: Crônicas de Gelo e Fogo – A Tormenta de Espadas

Ao encerrar a leitura de “As Crônicas de Gelo e Fogo – A Tormenta de Espadas” – tijolo de mais de 884 páginas lançado pelo Editora Leya aqui no Brasil – mais uma vez aquela sensação terrível de:

– Acabou, porra?!

Pois é. E acabou mesmo – para alguns personagens até mesmo de forma literal – e este terceiro volume de “As Crônicas de Gelo e Fogo – A Tormenta de Espadas” não fica nada a dever aos outros livros da série em se tratando de alguns aspectos que fundamentam a literatura de George R. R. Martin nesta “fantasia realista” que conquista cada vez mais legiões de fãs pelo mundo a fora. E que aspectos seriam estes? Primeiramente, nunca se sinta seguro em relação a personagem alguma. É sério. Não tem como. George R. R. Martin criou uma trama tão intrincada que as personagens principais das histórias não são assim tããããão “principais”. Na verdade, funcionam como mecanismos na grande engrenagem que nos traz o Inverno da narrativa e como sabemos pela Casa Stark: “o inverno está chegando”.

A trama deste terceiro volume não obedece uma linearidade narrativa. Como nos outros volumes das “Crônicas de Gelo e Fogo”, os capítulos são dispostos através de personagens fundamentais à trama. E com alguns acréscimos interessantes. E talvez o mais surpreendente seja Jaime Lannister. Nos dois primeiros volumes – A Guerra dos Tronos e A Fúria dos Reis – acompanhamos Jaime Lannister através da narrativa alheia: seja Eddard Stark ou Tyrion Lannister. Mas agora Jaime Lannister ganha voz própria e acompanhando sua jornada, é possível perceber o mérito narrativo literário de George R. R. Martin: a capacidade convincente de mostrar que nossa leitura da realidade é muito, mas muito enviesada e sofre de uma verdadeira assimetria de informação. É, informação é tudo para cativar um leitor ou uma leitora e gerar um modo simpático a uma personagem.

Regicida sim, mas com seus motivos.

E foi o caso com Jaime Lannister. Ele tenta, ao seu modo, explicar as razões de ter se tornado um Regicida. E, no caso, me convenceu. Ainda mais que os capítulos de “A Tormenta de Espadas” cujo protagonista é Jaime Lannister figuram seguramente entre os melhores. Especiamente pela transformação moral que podemos acompanhar na personagem.

E já que transformação é a palavra da vez neste review não há como deixar passar que “A Tormenta de Espadas” é um grande volume dedicado a transformação. E, com ela, a queda. Algumas importantes Casas desmoronam ao longo do livro e – SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER – geram uma sensação das mais desconfortáveis que tive desde que aprecio literatura e histórias em quadrinhos. E estou me referindo ao que chamo de “A Queda da Casa Stark”, especialmente através da sina de Robb Stark – o Lobo do Norte, Rei no Norte. Paga-se o preço amargo da escolha, não há como evitar.

Enquanto é possível nutrir uma sensação relativamente agradável, em relação aos Stark,  ao final de “A Fúria dos Reis”, agora em “A Tormenta de Espadas” ocorre o contrário. Num jogo de tronos, pequenos deslizes geram grandes traições. Surpreendentes não necessariamente, mas impactantes. E a perversidade está por todo lado. E haja perversidade.

“A Tormenta de Espadas” me assegurou certa certeza em relação a George R. R. Martin. Beleza não põe mesa. E muito menos honra e lealdade. Jaime Lannister vai aos poucos recuperando sua honra perdida após ser desfigurado. Tyrion Lannister, bom, o anão ainda é um dos melhores em todo o livro e não há como não se divertir com suas tragicomédias. Jon Snow, já um honrado Stark – ainda que bastardo – segue crescendo como personagem de uma forma muito, mas muito interessante de se acompanhar bem como Arya (que tenho a sensação de que se tornará um loba das mais terríveis ao final da trama das Crônicas de Gelo e Fogo) e Daenerys.

Bom, Daenerys – ao lado de Tyrion e Jon – é minha personagem preferida. E mostrou, no desenrolar do livro, porque a Última Targaryen deve ser temida. E muito temida. E lealdade e traição – por ouro ou até por amor, como lhe foi profetizado – rasgam seu espírito. Porque lealdade e traição podem caminhar juntas. E caminharam. Outro ponto para George R. R. Martin. Acho até mesmo impossível não torcer por uma personagem tão cativante e que sabe sim o que quer e não se faz de tola. E sua honra e justiça e como ela a aplica me deixou extasiado.

Como não poderia deixar de ser, George R. R. Martin deixou inúmeras pontas soltas e ganchos para o próximo livro da série – “O Festim dos Corvos”. E claro. Só estimula, ainda mais, a vontade de terminar de ler toda a série das “Crônicas de Gelo e Fogo”.

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5 pensamentos sobre “Review com Tormenta: Crônicas de Gelo e Fogo – A Tormenta de Espadas

  1. Pingback: As Crônicas de Gelo e Fogo – Livro 3: a tormenta de espadas (primeiro capítulo) « Cabaré das Ideias

  2. NOssa .. depois de ler isso aqui quero terminar logo o livro 2 ” a furia dos reis” não acredtio .. os Stark vão desmoronar?? aff …. Muito bom o comentário .. ja no livro 1 as cronicas de gelo e fogo me ocilei na torcida por muitos personagens e pelo que vi esse emaranhado de coisas permanecem .. adoroooooooooo

    Profeta. 😛

    PAULA LUCIANA

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