Music in the Space

Cure for Pain – Morphine: resenha com cointreau

Tempos atrás mesmo assisti a um programa especial da Rede Globo intitulado “Por Toda a Minha Vida” sobre Renato Russo, vocalista, letrista e compositor da banda Legião Urbana e fiquei pensando o quão interessante seria listar, apenas esquematicamente, alguns discos que fizeram (e fazem) parte “por toda a minha vida”. São 32 anos, então é um tempo humanamente interessante para ter conhecido alguns bons discos dos mais variados gêneros.

Mas listar é sempre um problema e quanto mais longa a lista, mais difícil se conter em não acrescentar mais algum disco. Por isso, em geral, gosto de números reduzidos em listas. E foram 7 discos escolhidos para fazer parte desse meu momento “por toda a minha vida”: 1. Legião Urbana – As Quatro Estações, 2. Moby – Play, 3. The Chemical Brothers – Come With Us, 4. Miles Davis – Coletânea “The Jazz Masters: 100 anos de swing, 5. Morphine – Cure for Pain, 6. Underworld – Oblivion with bells e, 7. Pink Floyd – Wish You Were Here. Podiam ter mais alguns discos nesta brincadeira? É claro. Mas tem de focar, right? E foi o que fiz (e olha que muita coisa boa ficou de fora mesmo, coisas que gosto de verdade!). Os critérios de escolha foram longevidade e o que cada disco representou na “boléia” da vida.

O genial Miles Davis

Como um blog é um espaço virtual para se dividir notícias, pensamentos reflexivos sobre cinema e literatura, um pouco de putaria nerd e também um espaço para compartilhar arquivos e sensações, decidi iniciar essa primeira parte de “Por Toda a Minha Vida” com o disco Cure for Pain da banda Morphine.

Morphine – Cure for Pain

Como sempre digo aqui no Cabaré das Ideias, “sou da época” que escutar música ia além de colocar um fone de ouvido e apertar play. O processo de escutar música envolvia comprar um disco (o bom e velho vinil ou um CD mesmo, com um bom encarte) numa loja e até chegar ao objetivo (se é que havia algum) de levar “aquele” disco, muita coisa antes era ouvida, visualizada e tateada. As prateleiras lotadas de discos de vinil e de CD. Quando um “cabeça nova” eu ia às lojas de discos como ia às bancas de revistas para comprar meus gibis (com um suado, mas muito suado dinheirinho). Revirava por gênero musical e ia escutando aos poucos. Passava horas, tanto nas lojas de disco quanto nas bancas de revista e livrarias. E era (e é ainda) muito prazeroso. Numa dessas, no saudoso ano de 1997, encontrei o disco “Cure for Pain” da banda Morphine, segundo disco na trajetória da banda de Mark Sandman. Já curti de imediato ao escutar a primeira música do álbum, “Dawna”. E mais coisa boa estava por ser escutada, verdade seja dita!

Já enquanto escutava “Buena” tive a certeza de que levaria o disco. E para classificar o gênero musical fiquei numa baita dúvida: rock? jazz? A verdade é que não importava. Morphine surgiu numa época que já conhecia um pouco de jazz e a capacidade da banda de sintetizar muito bem o rock e o jazz foi surpreendente para os ouvidos adolescentes. A própria constituição da banda era muito alternativa para ser uma banda “pura” de rock. Mark Sandman, primeiramente, tocava um baixo de duas cordas apenas. Havia, ao longo do disco, sua voz cavernosa ao som de “pinceladas” de guitarra e solos de saxofone de Dana Colley e a bateria de Jerome Deupree (entre a participação de outros músicos). Mas era o som do contra-baixo que cativava mesmo. E, nesta cabeça com seus 18 anos, estimulava a vontade de ser baixista de alguma banda (sonho ou vontade apenas que nunca se realizou).

O melhor de escutar “Cure for Pain” do Morphine era a capacidade de estimular auditivamente minha redação literária. No meu caso, para escrever bem, preciso estar escutando boa música e, se possível, tomando um cointreau em copo de requeijão ou um bom vinho na caneca do Batman. Mas nesta época a coisa era mais hard. Escrevi uns três livros escutando muita música boa (incluindo todo o disco “Cure for Pain”) e tomando uísque “natu nobilis” e comendo bolacha cream cracker. Muita coisa boa e ruim (na minha opinião) saiu dessa mistureba de Morphine, máquina de escrever, uísque “natu nobilis” e comendo bloacha cream cracker “mabel”.

É uma época também saudosa. E por isso, acredito, passagens da vida das pessoas muitas vezes são marcadas por músicas ou mesmo por discos. Essa fase adolescente de escritor de literatura foi marcada por “Cure for Pain” do Morphine. Caso não conheça o álbum “Cure for Pain” do Morphine, é possível fazer o download clicando aqui. Mas recomendo fortemente a compra do disco. A experiência sensorial é mais adequada.

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