Documentários/História em Quadrinhos

HQ Documentário e Análise: Download de “Mindscape of Alan Moore”

O bom e velho Alan Moore

Por anos e mais anos batia uma dúvida tenebrosa na minha mente juvenil: quem era melhor escritor de histórias em quadrinhos? Frank Miller, Alan Moore, Neil Gaiman ou Grant Morrisson? Até meus tenros 22 anos, Frank Miller era imbatível em primeiro lugar, seguido por Alan Moore, Grant Morrisson e Neil Gaiman. Mas daí os anos foram se passando, a maturidade chegando e novas leituras foram incorporadas. E a decepção com a farofagem de Frank Miller foi crescendo cada vez mais. Atingiu seu auge nefasto com “Batman – O Cavaleiro das Trevas 2”, uma espécie de continuação bizarra, desproporcional e sem sentido (além do financeiro para Miller) que quase manchou uma das maiores obras de HQ de todos os tempos (sim, ela é atemporal, cheguei a conclusão). Frank Miller, no caso da minha escala de maiores escritores de HQ caiu consideravelmente e nem o avisto mais. Warren Ellis e Garth Ennis entraram nesse Hall da Fama nerd faz tempo e nada do escritor de Demolidor – A Queda de Murdock.

E Alan Moore, Grant Morrisson e Neil Gaiman? Bom, quanto ao Neil Gaiman não o considero mais um escritor de HQ. Ele se aposentou mesmo e não vejo isso de forma meritória. É uma lástima, mas cada um tem seu karma. Digo isso porque sou um fã de suas histórias, principalmente Sandman. Mas é um escritor muito competente, independente da mídia que trabalhe agora ou, no caso, seja sua preferência – a literatura (li “Coisas Frágeis” e é fantástico o livro!). Morrisson continua o bom e velho Morrisson de sempre, cada vez mais doido e espetacular. Sua “biografia” em prosa e quadrinhos vai ser lançada e será cofre na certa. Para maiores informações sobre “Supergods”, a clique aqui. E Alan Moore?

Bom, o velho barbudo, assim como Grant Morrisson, não perdeu a sua Majestade. Na verdade, com o passar do tempo, especialmente a áurea fase da década de 1980 com o Watchmen, Monstro do Pântano e  V de Vingança (HQ da qual escrevi uma resenha aqui para o Cabaré das Ideias) criou excelentes e únicas obras de artes em quadrinhos. Três exemplos: A Liga Extraordinária, Do Inferno e Promethea. Meus caros e caras Cabareístas, Alan Moore simplesmente criou nas três últimas décadas mais clássicos das histórias em quadrinhos que qualquer outro escritor. E seus últimos clássicos, sejamos sinceros, beiram o nível magnífico.

A Liga Extraordinária é uma ode à literatura. Primorosa, com uma trama relativamente simples e maravilhosamente orquestrada (não importa qual volume). E Do Inferno? O que posso dizer? Talvez recomendar ler ou reler? Do Inferno é, talvez, o auge de Alan Moore na arte de escrever e roteirizar HQs. Seu estilo, assim como a história, tem a classe Vitoriana e o desenvolvimento da história beira o magistral. Do Inferno merece um post especial, assim como fiz para V de Vingança. O mesmo para Promethea, ao lado de Os Invisíveis de Grant Morrisson, a mais surreal e psicodélica HQ: metafísica pura que, imagino Hermes Trismegistus lendo e se deliciando, vale cada centavo investido. Só recomendo que tanto Promethea quanto Os Invisíveis sejam lidas com cuidado, pois nelas há passagens abertas para infinitas dimensões da percepção. E não estou brincando com isto. Portanto, nada de usar mescalina enquanto lê Promethea. Promethea é metafísica e não estranhem que o físico do meta seja realçado.Veja o que o excelente J. H. Williams III descreveu que lhe acometeu (e com Alan Moore não foi diferente):

“Eu estava desenhando uma viagem pela Árvore da Vida da Cabala, e estava me aproximando do clímax da história, quando os personagens tinham que atravessar os limites da escuridão, pra chegar em lugares de formas mais elevadas da realidade, passando por uma dimensão destruíuda no caminho…

Alan me ligou, dizendo que eu poderia ter alguns problemas físicos ao desenhar essa parte da HQ, pois ele mesmo se sentiu muito mal ao escrever o roteiro e só melhorou depois que terminou seu trabalho e parou de mexer na história.

Alan acreditava que os pensamentos sobre essa dimnensão negativa e maligna se manifestou fisicamente, e ele acabou experimentando todas as sensações ruins que os personagens da HQ deveriam ter passado devido a sua viagem pela Cabala… E achou por bem me avisar sobre isso.

Quando comecei a desenhar a passagem, quanto mais eu me aproximava do momento em que mostrava o buraco negro e a passagem negativa da vida que levava até a Árvore, sentia dores no peito.

E quanto mais eu desenhava o buraco negro, piores as dores ficavam, acabei indo ao hospital pra fazer um exame, e os médicos disseram que eu tivera um pequeno ataque cardíaco, mas que não detectaram nada que pudesse ser a causa dele.

A medida que fui terminando e me afastando das páginas que mostravam o buraco negro as dores foram passando até sumirem por completo…

Depois de algusn dias conversei com Mick Gray sobre isso, e ele me disse que enquanto fazia a arte final dessa parte, todos na sua casa ficaram muito mal, com um surto de gripe.”

A página em questão. É pra embrulhar o estômago ou coisa pior?

Para uma análise da significação dessa “passagem” leiam o post “Alan Moore, Promethea e Daath” e basta clicar aqui. Um bom conhecimento de Cabala (Qabbalah) auxilia um pouco em concordar ou não concordar com a visão do post, mas vale a pena pensar a respeito.

Vale ou não vale adentrar a mente desse escritor? A oportunidade está a um clique. Faça o download de “Mindscape of Alan Moore”  (251.41MB em rmvb) e conheça um pouco desse apreciador de haxixe e de Pink Floyd. E claro, leiam suas obras. Vocês nunca mais serão @s mesm@s.

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