Cinema e afins

Resenha de Cabaré: Rutger Hauer em A Morte Pede Carona

“A Morte Pede Carona” (Thr Hitcher, 1986) é um dos maiores clássicos oitentistas, dirigido por Robert Harmon (e diretor do ótimo “A Travessia”, 2000) e roteirizado por Eric Red. Anterior a geração “massa véio” com seu ídolo maior Michael Bay e os filmes de Pânico (adolescente) de Wes Kraven. O grande nome desse filme é Rutger Hauer. E como não haveria de ser? Ele interpreta um dos maiores serial killer (ou cereal quile, no bom creyssones) da história do cinema: o “carismático” e soturno John Ryder. Do começo ao fim do filme não sabemos, de verdade, nada sobre sua personagem. Ele aparece na estrada e morre na estrada. Sua história pregressa não existe, o que existe, apenas, é um homicida que anseia, de verdade, por um fim. Não importa o custo para isso.

Rutger Hauer e Robert Harmond

Rutger Hauer é perfeito na caracterização de John Ryder. Sorri. Não grita com ninguém e é até educado, embora sua educação seja mais uma casca do que qualquer outra coisa. Tem paciência e chega a ser relativamente simpático. E só um bom ator é capaz de fazer com que seu telespectador consiga, de certa forma se simpatizar e também se horrorizar, ao mesmo tempo, com uma personagem. A Morte Pede Carona é um filme com uma história simples: Jim Halsey (C.Thomas Howell) atravessa os EUA, de Chicago rumo a San Diego, para entregar um carro e no meio do caminho esbarra com um serial killer com um mente completamente distorcida. O filme foi rodado na famosa Rota 66, lendária estrada estadunidense. E num clima de estrada, nada mais comum que motoristas rodando horas e horas, ficando exaustos e mesmo assim continuando a boléia. E, por causa do stress de dirigir sem parar, começa a pegar no sono enquanto dirige. E quase causa uma acidente por isso. A solução que surge na sua cansada mente? Porque não dar carona ao cara que estava tomando chuva nessa estrada insossa? E de boas intenções o inferno está lotado, diria o Filósofo.

Jim Halsey oferece  carona a John Ryder e o pesadelo se inicia. Por não conseguir matar Jim Halsey, John Ryder passa a perseguir o jovem motorista e é nessa perseguição, tão mental quanto física, que o filme apresenta sua “inovação”: não basta apresentar um vilão e um mocinho. Isso até que é feito. Mas a história que gira em torno de Halsey e Ryder é muito mais sobre como superar o medo e fazer o que é necessário do que sobre um mocinho meia boca que salva a mocinha (e, no caso, não consegue…sorry) e prende o bandido ao final. Não, meus caros e minhas caras Cabareístas, o que o diretor Robert Harmon oferece em “A Morte Pede Carona” (título que ficou melhor melhor na “versão” brasileira) é uma mudança de status de heroísmo, uma mudança não, melhor, várias mudanças.Mais ainda: não há exatamente heroísmo, existe apenas a sensação de azar, sempre azar, como o azar mortal que acometeu-se sobre a personagem de Nash (Jennifer Jason Leigh). E o azar não dá muito espaço mesmo pra sorte. Só atrai para si mais azar e sofrimento.

Vai uma batatinha, ops, quer dizer...

Chega determinado momento do filme que o telespectador desconfia de Halsey: será mesmo que Ryder existe? E mais, continuará a existir? O final de “A Morte Pede Carona” é desesperançoso. Como não haveria de ser? Nunca houve muito espaço no filme para um final feliz. A Morte Pede Carona é um filme que deve ser assistido várias e várias vezes, para quem tem estômago, claro. Você pode descobrir muitas coisas ali. Seja o escárnio pelo sonho americano ou a intricada e homoerótica relação entre Ryder e Halsey (embora C. Thomas Howell negue e muito isso). É um filme que vale muito a pena ter em casa para se assistir, vez ou outra, quando bate aquela vontade de sumir no mundo, só você, seu carro e sua mochila. Mas sem caronas, claro.

Assistam comigo no replay o oitentista trailer de “A Morte Pede Carona”.

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