Cinema e afins/Music in the Space

Bem-Vind@ às Trilhas Sonoras de Clint Mansell

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Requiem for a Dream

Apenas com o tempo mesmo que aprendi que um bom filme necessita de uma boa trilha sonora. Não menosprezo o antigo cinema mudo. É outra época, outra maneira de fazer e apreciar filmes. Mas o chamado “hoje em dia” um filme que careça de uma boa trilha sonora perde pontos. Não precisa ser necessariamente um filme de ficção científica ou terror. Qualquer filme. Talvez minha memória busque imediatamente na ficção científica as melhores trilhas sonoras de filmes, mas não é apenas o mundo Sci-Fi, como já disse, que tem esse “dom” de articular imagem e som. Excelentes filmes e trilhas sonoras “pipocam”, perdoem-me o trocadilho com o cinema. De memória (sempre ela) posso citar Blade Runner  e Star Wars. A primeira trilha sonora, relativa ao clássico de Ridley Scott baseado no livro Do Androids Dream of Electric Sheepdo genial Philip K. Dick, foi composta por Vangelis, em seu famoso estúdio Nemo. Vangelis é quase um sinônimo de boa música, daquelas que atingem a alma, de forma certeira.

Quando compos a trilha sonora de Blade Runner, o músico grego utilizou um sintetizador analógico Yamaha CS80, trabalhando, junto a sua equipe, com “sequenciadores”, num trabalho difícil de over-dubbing, exigindo muito, mas muito refinamento perceptivo. Um excelente artigo sobre a trilha sonora de Blade Runner pode ser acessado clicando aqui. Vangelis conseguiu criar uma das mais perfeitas sincronias imagem e som que já pude apreciar, sem ou sob efeito de um bom cointreau ou vinho. Assistir Blade Runner sem ouvir sua trilha sonora perde, na minha opinião, boa parte da impressão lúgubre e densa de um filme que Ridley Scott conseguiu criar e, na minha opinião, ninguém conseguiu atingir e muito menos superar na cinematografia contemporânea.

Mas boas trilhas continuaram a surgir. E um excelente exemplo na produção de trilhas sonoras marcantes vem de Clint Mansell., Requiem for a Dream (2000), The Fountain (2006), The Wrestler (2008) e Black Swan (2010). Todas parcerias realizadas com seu amigo, o brilhante (sou fã devoto) diretor Darren Aronofsky. A própria entrada de Clint Mansell no mundo das trilhas cinematográficas, após sua saída da banda Pop Will Eat Itself em 1996, ocorreu por meio de Darren Aronofsky. E sua entrada foi triunfal no mundo das trilhas sonoras com a pertubadora trilha sonora (bem como o filme) de π Pi (1998).

Em Requiem for a Dream, ao lado de  π (Pi), Clint Mansell consegue criar uma atmosfera sonora que, ao lado da preciosa edição do filme, transporta o espectador pela ascensão e queda dos personagens, ilustrando através das estações do ano o estado de espírito das personagens de uma forma que transmite uma sensação de aventura, mas também de desespero. E só uma boa trilha sonora tem essa capacidade. O último trabalho de Clint Mansell com Darren Aronofsky foi Black Swan, um filme de carga emocional extremamente tenso e exigiu de Mansell uma releitura de “O Lago dos Cisnes”, numa livre interpretação que possibilitou apreender a essência de Tchaikovsky e, ao mesmo tempo, manter seu próprio estilo em músicas como “Nina’s Dream” ou a ótima “Lose Yourself” com uma pitada clássica e uma forte pegada eletrônica.

As trilhas sonoras para os filmes de Aronofsky são seus trabalhos que mais me cativaram, mas não tenho como deixar de lado a trilha sonora que Mansell realizou para o filme Moon de Duncan Jones, um filme que contempla o melhor que a ficção científica tem a oferecer. E, como uma boa ficção científica, Moon também oferece uma trilha sonora que “casa” perfeitamente com o clima dramático e “poético” do filme (sim, há muita poesia no filme).

Seu último trabalho para o cinema, Black Swan, revelou não apenas um hábil compositor original, mas alguém com a habilidade de adaptar clássicos em novas leituras. Espero que seu trabalho com Darren Aronofsky, especialmente, ainda perdure por bons anos e por muitos e muitos filmes. Nossas mentes e, especialmente nossos ouvidos agradecem. Para conhecer o site de Clint Mansell clique aqui.

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2 pensamentos sobre “Bem-Vind@ às Trilhas Sonoras de Clint Mansell

  1. Pingback: Moon: soundtrack y reseña « Cabaré das Ideias

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