História em Quadrinhos

Resenha com Cointreau: Guerra: 1939 -1945

Conheço pessoalmente o Julius Ckvalheiro há um bom tempo. Já conversamos sobre HQ devorando alguns cachorros quentes na Praça da República ou em festas na saudosa Mansão Wayne, ambos “eventos” em Cuiabá numa época com mais cabelos e menos barrigas de ambas as partes. E, como não seria de se estranhar, muitas das conversas giravam em torno não apenas das HQ que lemos, mas também daquelas que gostariamos de produzir um dia. Os anos passaram e o Julius conseguiu atingir e atingir muito bem seu objetivo: um álbum excelente que reúne a perspectiva das histórias em quadrinhos com um detalhado e ilustrativo mapeamento histórico do período da Segunda Grande Guerra.

O tema da Segunda Grande Guerra é extremamente estimulante aos autores. Existe, até mesmo, certa prevalência de obras literárias e de histórias em quadrinhos sobre a Segunda Grande Guerra em detrimento à Primeira Grande Guerra. Talvez porque nunca de forma tão atroz e nefasta os antagonistas fossem tão claros e suas práticas perversas também não fossem tão atrozes num curto período de tempo na história da humanidade. Realmente, a Segunda Grande Guerra estimula a imaginação daqueles que não a viveram e são herdeiros, diretos ou indiretos, daquele mundo “perdido”, mas registrado na História. E a contribuição de Julius Ckvalheyro segue nessa toada: historiar, através de uma sequência de histórias que acompanham cada ano dessa tragédia humana, sob diferentes perspectivas: um jovem piloto kamikaze, prisioneiros de um campo de concentração ou um soldado que “não tem nada a perder e, de certa forma, nada a ganhar naquela guerra sangrenta e suja. Talvez esta história, a primeira, de um soldado nazista (que abre o Álbum), tenha sido aquela que me despertou a sensação: “porra, aquele puto do Julius fez um HQ fudidamente boa!”. E havia muitas razões para eu ter plena certeza dessa assertiva afirmação.

Todos os “anos-histórias” do Álbum, através de uma narrativa crua, direta e sem rodeios, permitem realmente viajar (no melhor dos sentidos) ao que esá sendo retratado em preto-e-branco, particularmente outro mérito do autor e da Conrad, editora que publicou o Álbum. Acompanhar o lúgubre passeio por um campo de concentração, na triste pincelada da arte, imprimiu-me até uma vontade danada de reler alguns livros de História que tenho. O Álbum tem esse mérito: reforçar na mente, através das palavras e da ilustração, a necessidade de outros passeios literários. Seja lendo o “príncipe historiográfico” Eric Hobsbawm, autor de A Era dos Extremos ou o especialista na Segunda Grande Guerra, Antony Beevor, autor de Dia D – a batalha pela Normandia.Até mesmo como conteúdo acessório para a sala de aula ao trabalhar a disciplina de História no Ensino Médio ou mesmo na Faculadade. Guerra 1939-1945, definitivamente, é uma boa pedida para isso e como professor (embora ausente das salas de aula há um bom tempo) posso garantir que ajuda e muito no estímulo à pesquisa histórica!

Ao término do Álbum fica aquela vontade de ligar para o Julio ou acioná-lo no msn e dizer: “porra, cascalho, não tem mais, pela Força?” Ainda não fiz isso, mas estou pensando seriamente em fazer e, por cima, obrigá-lo a pagar meu chopp escuro e sem reclamar na próxima vez que nos encontrarmos em Cuiabá, além, claro, de autografar o Álbum que tenho em mãos e vai se juntar a minha prateleira de HQs. Para comprar o Álbum clique aqui. E boa leitura!

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