Arte de Plástico

Miragens – arte contemporânea em Dar al – Islam

Na semana de 06 a 10 de Junho de 2011 estive em Brasília, através de meu alter ego que é cientista político, fazendo pesquisa de campo. Visitas à Esplanada dos Ministérios num dia e em todos os outros também. Entrevistas aqui e ali no Ministério do Meio Ambiente, especialmente: gestão pública do meio ambiente, gastos públicos, mecanismos de compensação ambiental, fundos de investimentos para desenvolvimento sustentável, etc. Tudo isso pra semana. Mas já diria o poeta Drummond “no meio do caminho havia uma pedra, havia uma pedra no meio do caminho”, ainda que essa pedra fosse metafórica e, na verdade, fosse uma pérola de arte em meio a tanta burocracia: o Museu Nacional de Brasília. 

Sener Ozmen. Supermuslim. 2003.

Tradicionalmente, ao visitar Brasília, me obrigo a visitar o Museu Nacional, assim como me obrigo a visitar o MASP em São Paulo. E nesta última viagem ao Planalto Central me deparei com uma excelente mostra de 19 artistas muçulmanos (ou não) contemporâneos: Shadi Ghadirian, Shirin Neshat, Bita Ghezelayagh (Irã), Khaled Hafez e Susan Hefuna, Wael Shawky (Egito), Ali Talib, Hassan Massoudy, Hassan Massoudy (Iraque), Halil Altindere, Sener Ozmen (Turquia), Kamel Yahioui (Argélia), Laila Shawa, Malileh Afnan, Taysir Batniji (Palestina), Lucia Koch (Brasil), Mounir Fatmi (Marrocos), Shezad Dawood (Inglaterra) e Ramia Obaid (Síria). A Mostra foi intitulada como “Miragens – Mostra de Artistas Contemporâneos do Islã”. E, ironias a parte, em meio a busca por série histórica de dados quantitativos relativos a gastos públicos com meio ambiente, essa mostra era muito mais que uma miragem. Era um deleite para o espírito.

Shadi Ghadirian. Ghajar.

A Mostra é extremamente diversificada artisticamente, mas o conteúdo das obras têm, em comum, conteúdos fortemente políticos: o papel da mulher nesse Islã contemporâneo, os conflitos armados, indicando, sob um olhar irônico, um mundo em transformação, do tradicional ao moderno e vice-versa. Algumas fotografias, por exemplo, foram trabalhadas dentro uma sutileza tamanha que mostrava-se necessário ver além da fotografia e posicionar-se no ato fotografado/representado. E fazer isto nunca é inteiramente fácil.

Da memória me surgem algumas obras em particular: a máquina de escrever cujo teclado são balas de armas de fogo, o “SuperMuçulmano” ou as telas pintadas sob os poemas de um de meus poetas preferidos, Ibn Arabi. Só tenho de agradecer por apreciar uma parcela de uma cultura tão rica e tão bela. A Mostra Miragens – Arte Contemporânea do Mundo Islâmico fica em exposição de 11/05 a 08/06, de terça a domingo, das 9h às 18h30, no Museu Nacional de Brasília.

Shirin Neshat. Mulheres de Alá.

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