História em Quadrinhos

Multiverso DC Comics: Crise nas Infinitas Terras e Flashpoint, mais do mesmo?

Acho que em todos os posts sobre Histórias em Quadrinhos no Cabaré das Ideias reafirmo minha condição ontológica de DCnauta convicto. Parte de toda essa admiração “DCnáutica”e verdadeira “profissão de fé nerd” veio assistindo a animação “meio desanimada” de Superamigos e foi verdadeiramente moldada e aperfeiçoada com a leitura da saga “Crise nas Infinitas Terras” – maxi-série da DC sobre seu multiverso, publicada no Brasil pela Editora Abril. Fiquei completamente fascinado pela ideia de múltiplas Terras paralelas! Versões drásticas ou levemente alteradas de personagens, mas também da própria história humana. Era muito divertido ficar pensando nas milhares de alternativas possíveis para se desenvolver roteiros de HQ: e se a Alemanha e o Japão tivessem vencido a Segunda Grande Guerra, que realidade viveriam Batman e Superman? e se Batman fosse o único herói no Planeta Terra diante da invasão de Apokolips, planeta do poderoso Darkseid?

LJA Terra 2

Muitas e muitas outras possibilidades brotaram em minha mente infantil. Simplesmente o aprendiz de nerd ficou muito feliz em soltar a imaginação elaborando histórias e mais histórias para saciar essa vontade de transitar por realidades e testá-las, mas do ponto de vista editorial não devia e não era nada fácil para a DC Comics lidar com um multiverso de Terras Paralelas, no qual os personagens sempre se encontravam, lutavam uns com os outros, etc. Organizar tudo isto demandaria muito, mas muito esforço com certeza. E para tanto, a DC Comics, como todo bom leit@r de HQ sabe, pediu a Marv Wolfman e George Pérez, respectivamente escritor e desenhista, elaborarem uma mega saga (a primeira e maior até hoje, com certeza) que conseguisse transformar toda aquela multirealidade e uma unirealidade. Inúmeros personagens apareceriam nessa HQ: Superman Kal – L da Terra 2, Superboy Primordial, Lanterna Verde John Stewart, Precursora, Firestorm (Nuclear), Legião dos Super-Heróis, Alexander Luthor, Monitor e, claro, o Anti-Monitor.

Dois momentos, em especial, são sempre relembrados em Crise nas Infinitas Terras: as mortes do Flash (Barry Allen) combatendo o Anti-Monitor e da Supergirl, morrendo, após também combater o Anti-Monitor, nos braços de seu primo Kal – El, o Superman de nossa Terra. Os autores conseguiram realizar uma excelente saga com momentos marcantes para toda a História das Histórias em Quadrinhos, mas o mais importante, do ponto de vistta editorial, conseguiram realizar: “consertar” a cronologia da DC e arrumar toda a bagunça de Terras Paralelas.

O Sindicato do Crime: versão maligna da Liga da Justiça

Méritos e deméritos existiram nessa iniciativa editorial. Digo isso porque realmente existia uma bagunça desde o primeiro encontro do Flash (Barry Allen), da Liga da Justiça, com o Flash (Jay Garrick), da Sociedade da Justiça. Mas sempre vi a iniciativa editorial do Multiverso como algo muito mais positivo do que negativo, mas para tanto seria fundamental organização. O que, convenhamos, não existia muito. Por que digo isso? As histórias em quadrinhos nos EUA (e também no Brasil) vem tendo cada vez mais dificuldades de renovar ou mesmo criar novos leitores. Os filmes baseados nas HQ até atrairam consumidores, mas a maioria se tornaram potenciais consumidores, diferentes de consumidores habituais. E essa diferença pesa bastante. Imaginem: pessoa curiosa sobre o Batman ou os X-Men deseja comprar revistas em quadrinhos, mas se depara, ao longo dos meses, com um universo tão intricado de histórias, passado nebuloso que sempre retorna pra assombrar e meio que te obriga a ir atrás de tais e tais histórias para entender porque isso ou aquilo aconteceu (ou também deixou de acontecer). Sabe o que ocorre em seguida? Esse leitor ou leitora abandona a ideia de colecionar a HQ (seja Batman ou X-Men).

O Coruja, versão maligna do Batman, diante do túmulo de seus "pais": amarga descoberta

Embora a dissolução do Multiverso DC após Crise nas Infinitas Terras tenha dado “fim” a esse problema, o gosto criativo por histórias alternativas continuou e até mesmo aumentou. Posso citar com tranquilidade algumas excelentes:

(1) Superman – Red Son. Autores: Mark Millar (roteiro) e Dave Johnson (desenhos). No Universo HQ é possível encontrar um resenha desta sensacional HQ e pode ser lida aqui.

(2) BATMAN – GOTHAM CITY 1889. Autores: Brian Augustyn (roteiro), Mike Mignola (desenhos), P. Craig Russell (arte-final) e David Hornung (cores). No Universo HQ existe uma sintética resenha da HQ e pode ser lida aqui.

(3) The Kingdom Come. Autores: Mark Waid (roteiro) e Alex Ross (arte). Esta série merece até uma resenha especial aqui no Cabaré das Ideias, tal o grau de sua importância para o Multiverso DC e para tod@ nerd de plantão que se preze minimamente.

Poderia continuar a citar várias outras HQ (boas) que lidam com realidades alternativas, como Justice League – The Nail de Alan Davis (roteiro e desenhos) e Mark Farmer (arte-final) ou Superman – Identidade Secreta de Kurt Busiek (roteiro) e Stuart Immonen (desenhos), mas o que importa é observar que, no mundo DC pós-Crise, as realidades alternativas continuaram a imperar no domínio criativo. A tentação de escrever e publicar histórias alternativas dos super-heróis mais famosos continuou a ser muito, mas muito tentadora. Embora Wolfman & Pérez tenham produzido a maior e melhor maxi-saga de HQ de super-heróis na história das histórias em quadrinhos com o intuito de organizar a diversidade heroistica DC, os autores não conseguiram e nem conseguiriam eliminar a ideia de multiverso. Ainda bem!

Talvez o melhor e verdadeiro retorno do multiverso DC tenha sido dado pela mente de Grant Morrisson na sua fase na Liga da Justiça. Essa HQ é JLA: Earth 2. Escrita pelo genial Grant Morrisson e desenhada por seu parceiro de várias trabalhos (JLA, X-Men, Superman All-Star, W3, etc) Frank Quitely. Em Earth 2, os valores de bem e mal são invertidos. Os nossos valores e também nossos heróis são distorcidos, funcionando de maneira contrária: a Liga da Justiça é o Sindicato do Crime, Lex Luthor é o herói do planeta Terra. A Liga da Justiça, graças ao bom e velho Batman, percebe que vencer nesta outra Terra não significaria, necessariamente, a realização do bem, mas a manutenção do mal, mas de um outro mal. O sucesso dessa HQ foi tremendo na época e alimentou o desejo de muitos DCnautas: o retorno, ainda que mais organizado, do multiverso, recentemente até mesmo uma animação foi produzida pela DC. Para fazer download de JLA: Earth 2 clique aqui.

Posições favoráveis foram muito maiores que as posições contrárias. Mas ganhou corpo a ideia de retorno do Multiverso. E ele voltou ao fim da série Crise Infinita e a maxi-série 52. Para “bem e para mal”, retornou toda uma diversidade de histórias de super-heróis. Algumas Elsewords (conhecidas no Brasil como “Túnel do Tempo”) se tornaram de “simples” histórias paralelas em verdadeiras histórias de Terras paralelas, uma das 52 Terras apresentadas em Crise Infinita.

Na minha opinião reside nessa diversidade excelentes oportunidades de criação de HQ memoráveis, como se tornaram algumas já citadas nesse post. Grant Morrisson e Frank Quitely preparam, desde o fim de Crise Final, a série Multiversity. Simplesmente aguardo ansioso por essa série que transitará por diversas dessas Terras paralelas. Ainda é uma promessa, mas uma promessa que vale muito a pena aguardar.

Agora, nos EUA, começou a ser publicada Flahspoint, escrita por Geoff Johns e desenhada por Andy Kubert, nova maxi-saga da DC Comics. Novamente uma realidade alternativa (ainda que, aparentemente, não uma Terra Paralela) no qual muita, mas muita coisa mudou realmente no tradicional mundo DC. Spoilers a seguir: Por exemplo, quem é o Batman nesta saga não é Bruce Wayne e sim seu pai, Thomas Wayne. Embora seja muito desconfiado dessas últimas mega sagas da DC (devido às interferências editoriais de Dan Didio como já escrevi aqui), até agora o que vi de Flashpoint tem se mostrado muito interessante. A DC disponibilizou um mapa mundi dessa realidade e muitos nerds de plantão começaram a delirar com as possibilidades. Eu sou um deles. Abaixo segue esse mapa.

Mapa Mundi de Flashpoint

Imperador Aquaman. A ilha britânica tomada pelas Amazonas, após a morte da Rainha Hipólita de Themiscyra, mãe da Mulher Maravilha. Abin Sur ainda um Lanterna Verde e nunca existiu uma Liga da Justiça. A existência de um Superman não foi revelada ao mundo. E, pasmem, os Nazistas migraram e ocuparam o Brasil após a Segunda Guerra Mundial. Neste estranho mundo se encontra o Flash (Barry Allen), retomando um posto de importância após seu retorno em Crise Final. Estes e outros fatores transformam Flashpoint numa saga de enorme potencial. Mas o que será do multiverso DC depois de Flashpoint? Não há muito certeza, embora existam indicativos de que os números das revistas serão zerados, uma forma de atrair novos leitores. Mas e o conteúdo das histórias? e a cronologia? São questões ainda abertas. Histórias em Quadrinhos sobre Terras Paralelas ou Realidades Alternativas (que podem não ser a mesma coisa em HQ) são sempre bem-vindas. Vou ler, de qualquer forma, Flashpoint e averiguar se ela é uma dessas boas sagas ou apenas mais um caça-níquel.

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