Cinema e afins

127 Horas. Tensão pouca é bobagem para Mr. Danny Boyle!

Danny Boyle

Já diria o Filósofo: “existem diretores e diretores”. Nada mais óbvio. Muitas vezes um diretor meio que passa despercebido pelo grande público. Na verdade é a regra que impera nos cinemas. Lembrar nomes de atores e atrizes é bem mais fácil do que lembrar o nome do diretor. Existem excessões. Talvez o Tarantino, Hitchcock e Almodovar. E o George Lucas. A questão não é mérito de suas capacidades de grandes maestros da arte cinematográfica. A questão é o espectar ir se adaptando aos poucos ao estilo de um diretor e, muitas vezes, aos temas que mais lhe agradam. Danny Boyle é um dos meus diretores preferidos. Acho que ele tem a mão mesmo em conduzir, de forma dinâmica, um bom filme. E não precisa ser um mesmo padrão de filme para “marcar” sua direção. Em sua carreira ele é bem diversificado no que dirigiu e produziu.

Uma das mais antológicas cenas da história do cinema: o mergulho profundo na privada em Trainspotting

Acompanho seus trabalhos desde Cova Rasa (ano de 1994, Shallow Grave, título original), mas fui virar fã incondicional com Trainspotting (ano de 1996), A Praia (ano 200, The Beach, título original) e Extermínio (ano de 2002, 28 Days Later, título original). Danny Boyle é um maestro de produzir/dirigir filmes com temáticas variadíssimas, como é possível observar nesse curto menu de filmes que citei. Tem para todos os gostos: de zumbis (Extermínio) a viciados em heroína completamente ensandecidos e divertidos (Trainspotting). E isso é muito positivo, na minha opinião. Outra marca em comum na sua filmografia são edições muito caprichadas com trilhas sonoras empolgantes que fisgam o telespectador e o deixam pregado na cadeira doid@ para saber que diabos vai acontecer no filme. Com o tempo fui aprendendo a observar nos meus filmes preferidos esse aspecto comum: edições muito bem realizadas, costuradas perfeitamente através de uma trilha sonora que, na sua maior parte, estimula aqueles neurônios preguiçosos. Foi assim com Trainspotting e também com outro filme que lhe fez arrebatar inúmeras estatuetas do Oscar no ano de 2008: Quem quer ser um Milionário?(Slumdog Millionaire)

Abaixo um trailer de Cova Rasa e depois Trainspotting. Ewan McGregor, o eterno Obi Wan Kenobi, é arroz de festa nos dois clássicos de Danny Boyle.

Danny Boyle consegue fazer você realmente torcer pel@s protagonistas. E, geralmente, você sofre pra caramba. Em Quem quer ser um Milionário? o diretor consegue passar o caldeirão sócio-religioso indiano muito explosivo em pouco mais de duas horas de filme. E você não se perde. Você até pode não entender muito bem porque uma criança pintada de azul aparece de repente para outras duas crianças, mas você entende muito bem que aquele criança azul não é um smurf e sim uma representação divina no meio de um verdadeiro caos de sangue, ossos quebrados, corpos carbonizados e muita fé. E fé demais cheira mal, já diria o Filósofo. Um diretor bom consegue fazer com que o cinespectador se sinta bem, mas também se sinta mal. Ao menos é o que penso. E um diretor bom de verdade, como é o caso de Danny Boyle, transita por assuntos pedregosos com tanta facilidade e bom humor (típico dos britânicos) que até uma cena forte de overdose de heroína torna-se “lúdica”, como ocorreu com Mark Renton (Ewan McGregor) em Trainspotting.

127 Horas não é nada diferente da filmografia de Danny Boyle. Direção, edição e roteiro unem-se perfeitamente sob a batuta do diretor. E uma história como essa, para ser contada no cinema, precisa ser muito bem contada. E, na minha opinião, foi. Baseada na história trágica e real de Aron Ralston, transformada em livro (intitulado ‘Betweent a Rock and a Hard Place’), Danny Boyle conseguiu transformar horas e horas de lenta agonia numa experiência alucinante. É. Durante o filme o ritmo de delírios do personagem Aron (interpretado por James Franco) vai aumentando substancialmente, imprimindo uma sensação nauseante e, como gosto, deliciosa. Claro, pimenta no C* dos outros é refresco. Mas é sóda todo esse processo do personagem depois da queda e do braço preso entre uma parede e uma rocha. Senti sede, como sentiu o personagem. Dei pausa várias e várias vezes durante o filme (assisti no JediFighter, meu computador) e ia ver um twitter aqui e ali. Mas o filme me chamava de volta. Dai decidi mergulhar de vez e fui até o fim da “bagaça”. O final é estoentante, amargo e vitorioso. Não vou dizer mais que isso. Quem não assistiu pode perder um pouco do impacto. Aquela trilha sonora nos momentos de clímax do filme até hoje tocam aqui na minha cabeça.Para quem gostou da trilha eis o link para download http://sharecash.org/download.php?file=1412168

Mais uma vez Danny Boyle mostra porque é um diretor bom, mas muito bom. Fico sonhando, nos meus delírios nerds, que ele pudesse dirigir Y – the last man, uma das mais sensacionais Histórias em Quadrinhos lançadas pelo selo Vertigo da DC Comics. Mas é complicado. Nem boato sobre isso ouvi. Mas fica a esperança. E a torcida para que mais filmes bons do diretor surjam aí no horizonte cinematográfico.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s