Realidade Overpower

Exotismo Suíno: da metafísica ao rolete

Sou meio assombrado por porcos desde que era criança. Acho o porco um animal exótico. Tem um amigo meu, Oziel, que disse uma vez numa bebedeira que as três melhores coisas da vida são: (1) sexo, (2) carne de porco e (3) pinga. Cada um nas suas preferências e prioridades, já diria o Filósofo. O porco é um animal tão exótico que nunca olha para o céu. Sei lá, acho um tanto metafísico isto. Não poder olhar para o céu, nunca! Olhos fixos no chão e pronto, ansioso por devorar o que estiver de bobeira. Esse exotismo suíno vai mais além: o porco tem um orgasmo que perdura por mais ou menos trinta minutos. É tempo demais!!!! Putz, tem cabra que preferiria olhar só para baixo e ter um orgasmo de trinta minutos do que passar a vida na impotência.

30 Minutos bem gastos...

Mas a vida não é perfeita para o suíno. Sua carne é apreciada por todo canto do planeta. Escapam dessa apreciação apenas os judeus e muçulmanos, por razões fito-religiosas. Já estudei tanto a literatura talmúdica e islâmica e nunca entendi bem a proibição do consumo da carne do coitado do porco. No máximo que consigo entender são motivações fito-históricas, já que o coitado do porco, em geral, é jogado em qualquer canto e sob quaisquer condições. Mas tudo bem, dizem que estão perdendo uma costelinha de porco com limãozinho inenarrável.

 

Ilustraçãozinha que encontrei no Google, meio comédia, mostrando os chamados malefícios do consumo da carne do coitado do porco

Bom, não como carne de porco. Não tem jeito e nem com reza brava e os motivos são variados. O primeiro deles e mais importante é que considero o porco muito semelhante ao humano. Uma vez fiquei três horas observando cientificamente o comportamento “dos porco” no chiqueiro (que nome degradante) e olhava mesmo nos olhos castanhos daqueles espécimes. Havia uma semelhança. E chegando a essa conclusão, fui em busca de maiores informações. Primeiro aquela busca básica no Oráculo Google. Saiu no Portal R7 uma notícia relativa a semelhança entre porcos e humanos:

Ambos aprendemos rápido e custamos a esquecer as coisas, temos corações parecidos, dentição semelhante, metabolizamos remédios e drogas da mesma maneira e tanto homens quanto porcos conseguem se reconhecer diante de um espelho. (…) – Eu vejo o porco como um grande modelo animal para os males do modo de vida humano. Os porcos gostam de ficar vagando por aí, eles gostam de beber e, se tiverem chance, provavelmente vão sentar e ver TV, diz Lawrence Schook, da Universidade de Illinois, um dos mentores da pesquisa.

Até notícia metafísica me chegou. Saint German, uma espécie de Mestre Místico que não sei bem se existiu em carne, osso e barba teria afirmado que: “se vocês soubessem o que eu sei sobre a carne de porco, acreditem-me, vocês nunca mais tocariam esta carne, enquanto estivessem vivos.” E pasmem: segundo essa Grande Fraternidade Branca (é isso mesmo?), o porco é fruto de manipulações genéticas feitas na Atlântida! E essa manipulação genética resultou numa espécie fruto da mistura do ser humano e de um ancestral do suíno. Fiquei viajando. Mas também fiquei estarrecido com o seguinte comentário: “Não se pode negar que a Carne de Porco tem um sabor incrível, especialmente bem condimentada.”

Era o fim da picada, quer dizer, da costelinha mesmo. Admitindo-se que o porco e a humanidade tem semelhanças genéticas derivadas de manipulação genética e que alguns dos órgãos do porco são compatíveis com os humanos e servem para transplante, vem a cacetada final de que a carne do porco tem sabor incrível. É demais pra cabeça. Até lembrei de uma amiga minha judia, de Brasília, que dizia não dispensar um lombinho bem preparado. Era o fim, até ela, judia com tio Rabino ortodoxo, se rendeu a carne do porco. Desisti de entender o exotismo suíno, apenas aceitei que somos semelhantes, acho que o motivo principal porque nunca devorei esse infeliz.

Porcos estão acompanhando a humanidade tem muito tempo. E pelo visto vão continuar nessa árdua jornada na direção da panela. De se lamentar.

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