Literatura Podre

Diante do Trono

Já fiz de tudo nessa vida: robei, falçiifiquei, dei de pau na cabeça dos outro, comi muito cu, dei a bunda umas vezes, larguei da escola, fui oreia seca, padeiro, namorei muita raimunda que é feia de cara e boa de bunda, apanhei de pai e de mãe, passei mão na piriquita de patricinha nas rua, comi méquidonaldi, escutei muito pagode nos churrasco na laje do Zé Tonho, fiz concurso de garota da laje, tomei banho pelado com travesti, ajudei a vender creme jequiti pra minhas prima, xerei muito pó, fumei muito bagulho, mandei pelá muito frango, conssertei muito fogão pras dona de casa e comi as fia novinha delas, vendi peixe no mercado do Porto, já fiz muito coisa que nem vo contá aqui, purque é coisa demais da conta.

A minha vida era meio perdida mesmo. Num sabia se ia pra casa num dia e volta no outro. As coisa ia meio que indo, sabe. Num sei escreve direito, mas axo que dá pra entendé, entendeu? Então, como que tava dizendo, minha vida era meio perdida. Meu pai e minha mãe viviam gritando pra eu muda de vida, larga mão dessas coisa que eu gostava e eu gostava de muita coisa, não tinha domingo que eu não ia lá pro Galpão arrasta uma nega pra um lambadão. Eu era um sujeito que aproveita o que dava pra aproveita e num tava nem ai pra porra de futuro de coisa nenhuma. Mas as coisas vão cançando um poco, de verdade vão cançando bastante. Já num tinha muita graça fica robando a televisao da dona Crotildi e nem tinha tanta graça fica passando mão na piriquita das patricinha la nos shopi centi e sai correndo dos seguranssa. Meus chapa tavam dizendo que eu tava virando fresco e viado e que eu tinha de volta a comer cu que tudo tava resouvido.

Eu num tava nem aí para cu, para buceta, para lambadão, não tava nem aí pra isso, a única coisa que valia a pena todo dia era comer um pedaço de carne de porco. Era isso a coisa mais importante que tinha, que eu gostava mesmo. Eu até ia ve os porco do seu Cráudio sempre que podia, ficava la uma tarde intera olhando pros coitado, imaginando se eles sabia que iam tudo pra panela e iam vira tudo costelinha que eu ia come com limão lá na laje do Zé Tonho. E desde que era crianssa que eu fazia isso, me dava uma paiz muito das grande fica olhando praqueles porco sabendo que eu ia comer aquelas oreia e aquele fucinho numa fejoada.

Mais como que tava dizendo, minha vida tava muito sem sentido. Daí um dia veio a dona Zéfinha e seu Edinilson, uns crente que eu conhecia desde que robei uma bicicreta na casa deles. Eles tinha uns monte de filha, uma mais feia que a outra e nenhuma conçeguia casa de jeito maneira e acho que por iço que elas eram tudo ma amada. Mais como tava dizendo, eles vierum fala com eu e eu dei converça pra eles e o papo foi indo e papo vai e papo vem eu ja tava indo na igreja deles, até camisa de botão da Riachuelo eu tava usando pra ir pras orassao e pro culto. Eles era duma igreja que proibia de trabalha no sabado, eu num tinha pobrema ninhum com isso purque eu num gostava mesmo de trabalha, mas eu descobri que só tinha um pobrema aquela igreja: num podia comer carne de porco.

As tentassão da carne do porco

 

Eu desesperei, fiquei doido, só num rasguei dinheiro purque num tinha dinheiro. Eu num podia larga da carne de porco nem fudendo, era uma carne boa demais, eu largava de tudo que eu ja tinha feito nessa vida de Noço Senho, mas da carne do porco era rim, hem. Num sabia o que faze mais, eu ia pra igreja e as pessoa via que eu tava diferente, que tava triste de verdade, eu num sabia o que faze. Mais um dia eu abri o corassao para o Pastor Evilasio, falei tudo aquilo que tava sentindo, falei que a igreja me fazia bem demais, que tinha ate voltado pra iscola, que tudo tava indo muito bem, mas que eu num ia larga a carne de porco, era rim demais, que eu num sabia o que faze.

O Pastor Evilasio, homem feio de óculo fundo de garrafa, me disse que eu sabia que Deus sabia de tudo, que via tudo, mais que, dianti do trono, eu poderia confeça meus pecado e Deus me perdoaria. Meu sorrizo foi de oreia a oreia e fiquei sabendo que Deus sabe tudo que ixiste nos corassao dos homem.

Naquela mesma noite, no banheiro de casa, sentado no trono, eu pedi pra Deus me perdoa por aquela costelinha de porco com limao que eu tinha comido no domingo lá na laje do Zé Tonho e minha vida fico muito mais fássil purque diante do trono os pecado é perdoado.

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