Realidade Overpower

Alta Gastronomia do Asfalto: peculiaridades gastronômicas em Cuiabá

Não nego que aprecio o lado exótico das coisas da vida. Bem filosófico isto, não? Pois é. Parte dessa característica que tenho e preservo de minha racionalidade dura é relativa ao agregar peculiaridades pitorescas (bonito de se dizer e de se escrever) e “gastronomia de asfalto”. Por “gastronomia de asfalto” me refiro a metafísica contida nos cachorros quentes, churrascos gregos, churros (da dona florinda), yakisobas (feitos com spagheti, claro) e churrasquinhos de gato nas ruas e avenidas das cidades brasileiras (ao menos na Argentina não vi muito dessa “gastronomia de asfalto” em Buenos Aires, talvez precise andar mais por lá da próxima vez que for a capital argentina).

Sou tão fascinado pela metafísica da “gastronomia de asfalto” (ainda não sabe o que é uma “gastronomia de asfalto”? experimente comer qualquer cachorro quente na rua Augusta em São Paulo e você vai experencialmente saber do que digo, engraçado que a Metafísica está na Física do cachorro quente, então não deixa de ser um problema ontológico da salsicha no molho o que desencadeia esse debate filosófico, Metafísica e Física caminham juntas, ou melhor, são preparadas juntas) que em minhas andanças nas férias que passei em Cuiabá, Mato Grosso, tratei de percorrer as ruas do centro da cidade e pude conversar com algumas pessoas que preparam essas comidas do dia a dia das pessoas.

Antes de encontrar um ponto de venda de churrasco grego deparei-me com a insólita propaganda enganosa: Fiquei estarrecido ao ver que no lugar do Churrasco Grego havia tão somente um stand de venda de celulares e chip da Oi e da Tim: nem sombra do churrasco grego!

 

Propaganda Enganosa

Mas não desisti e, tal qual Moisés buscando a Terra Prometida, encontrei aquilo que procurava: uma barraquinha de churrasco grego legítima. Vi estampado em vários rostos a satisfação da espera pelo churrasco grego, aquele lanche gorduroso e imensamente de alto e nefasto colesterol. Isso importava  para aquelas pessoas? Presumo que nem desconfiavam que poderia fazer mal comer aquele lanche todo dia e, em alguns casos, duas vezes por dia durante toda a semana. É aquela coisa: “tudo que é bom na vida ou é ilegal, imoral ou engorda”. Sei lá quem disse isso, mas a verdade é que muitos desconfiam disso e se entregam aos prazeres do churrasco grego. São pessoas corajosas, ninguém deve duvidar. Para encarar um lanche desse, com muita carne de segunda, gordura e fumaça de automóveis embutida (acho que um churrasco grego sem fumaça embutida não oferece tanto sabor ao degustador, talvez o CO2 seja fundamental no sabor do churrasco grego) a pessoa deve ter coragem e despreendimento deste mundo. Eu admiro.

 

Chef de Churrasco Grego

Depois fui em busca de uma barraquinha de Cachorro Quente. Que emocionante ao encontrar. Apresentei-me como Ben Hazrael (embora ela não tenha guardado este nome e passado a me chamar apenas de “moço”) Bati um longo papo com Liliane, que lá trabalhava. Ela me contou de sua vida e de seu trabalho. Estava apenas fazendo um “bico” para sua mãe que estava doente no período.  Pessoa trabalhadora e muito simpática. Seu cachorro quente detinha todas as características geográficas e culinárias de um bom cachorro quente: estar localizado numa rua movimentada de carros e de pessoas. O molho do cachorro quente era feito com extrato de tomate e um pouco de molho pronto. As salsichas eram procedentes da Perdigão, só não sabiamos (ela e eu) quantas espécies de bichos existiam ontologicamente naquelas salsichas, algo que prometi-lhe investigar posteriormente.

Minha jornada nesta semana, atrás de comidas peculiares, terminou na verdade com bebida. Vinho, no caso. E um vinho sul africano. Fiquei imaginando, enquanto tomava-o, que era uma espécie de vinho Chapinha ou Dom Bosco versão sul africana. Duvido que Nelson Mandela tenha tomado dessa iguaria. Fiquei imensamente impressionado com um vinho sul africano chamado Oracle of the Sun. Tomei-o em São Carlos e, já em Cuiabá, procurei-o. Não encontrei e acabei tomando este vinho Obikwa. Embriagado, fiquei imaginando que Obikwa tinha alguma coisa a ver, na língua Zulu, com o nome do mestre Obi Wan Kenobi, mas reconheço o devaneio.

Pretendo, agora ao retornar a Sanca, discorrer um pouco filosoficamente sobre a fenomenologia do espírito do cachorro quente. (F) Utilidade máxima para este primeiro semestre, quem sabe daí não sai uma espécie de Tratado Filosófico, sonho que acalento desde que era criança?

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